sábado, 18 de junho de 2011

Cozinhar é (continua)...

Difícil! Talvez em maior intensidade para os ditos da cozinha “natureba”. Isso porque, entendo que ser ‘natureba’ não representa apenas cozinhar com produtos orgânicos ou “próximos” a esses. Ser natureba representa também cozinhar, tendo realizado todo o processo da produção de um prato ou receita, desde a compra dos ingredientes (ou o plantio e colheita de alguns desses) até a elaboração do produto final. Um cozinhar natureba que se assemelha com uma produção dita ‘artesanal’! Nada daquela possibilidade/facilidade atual de comprar verduras e legumes já lavados e picados/ralados num saquinho fechado a vácuo, mesmo com a inscrição do tipo: ‘produtos fresquinhos e selecionados de fontes responsáveis, e aprovados pela natureza’.

Ser natureba é comprar o produto no seu modo mais rústico– ou, de preferência, colhido na horta -, lavar, picar, cozer (exceto ao que se refere aos farináceos e grãos. Não penso em plantar trigo e moê-lo, por exemplo)... Sim, ser adepto da cozinha natureba não é fácil!

É claro, confesso, não sou 100% cozinheira natureba no dia a dia: nem sempre sovo e abro uma massa, nem tampouco preparo o pão de cada dia, por exemplo. Também tenho meus dias de ‘lasanha pronta’ tirada da caixinha! Ser 100% natureba requer tempo, muito tempo,

coisa que só eventualmente tenho. Então, na maioria dos dias, sou somente 50% de uma cozinheira nesses moldes! Mas, nos finais de semana uso e abuso 100% das experiências da/na cozinha.

Um exemplo que acredito ser fiel na modalidade natureba de cozinhar é o Jamie Oliver (quem ainda não assistiu a um programa dele - ou leu um de seus livros - precisa assistir para entender a maneira de cozinhar que falo). É eu sei, ele tem tempo destinado só para isso; ganha dinheiro assim. Mas não dá para negar que dá gosto vê-lo cozinhar. Ele nos dá a sensação de que também somos capazes de fazer com sucesso o que ele faz. Ele é diferente dos demais ‘chefs’ que vemos por aí na mídia ou em renomados restaurantes. Mesmo que ele sempre busque dar uma apresentação final ‘bonita’ nos pratos que prepara, ele não tem aquelas minúcias (e adereços) que nos fazem desistir de cozinhar ou preparar uma receita.

Com certeza, aderir para a cozinha natureba é difícil: comprar pronto é mais fácil e, não dá para negar que, culturalmente, a comida orgânica ou natureba tem sinônimo de coisa difícil de fazer e ruim de comer! É por isso que para ser cozinheira natureba (ou ter estímulo para continuar sendo) há a necessidade de “cobaias” para experimentar as invenções e readaptações re

alizadas na produção de um alimento. Alguém que se disponha a experimentar, provar, questionar, sugerir e, até, elogiar. Uma “cobaia” é imprescindível! Até algum tempo atrás, além da minha filha do meio, a Paulinha, que é minha provadora oficial quando está por casa, tinha, ainda, uma fiel amiga e provadora do que eu produzia: Elisângela Piccolli de Bastiani (agora mora na Capital). Toda e qualquer receita que preparava, independente das diferentes misturas, ervas e grãos, era só avisar que ela, com aquele lindo sorriso, estava pronta para provar e dar um parecer. Saudades que tenho dela! Atualmente estou recebendo novas adeptas: algumas colegas da minha filha mais nova, Roberta. Por coincidência, uma dessas amigas se chama Paula.

Bom, como é final de semana, criei uma bolachinha bem natureba e muito, muito fácil de fazer (lógico, é preciso ter os ingredientes! Mas vale fazer adaptações.):

Numa tigela misture ½ xícara de farinha integral, ½ xícara de farinha de linhaça, ½ xícara de aveia em flocos, ½ xícara de extrato de soja, ¼ xícara de açúcar mascavo, ¼ xícara de mel; 1 colher de sobremesa de canela em pó; ½ colher de sobremesa de raspas de casca de laranja ou limão, 1 colher de sopa de fermento em pó, 4 colheres de azeite de oliva extra-virgem, suco de 1 laranja ou ½ xícara de água, 1 colher de essência de baunilha.

Misture tudo inicialmente com uma colher, depois com as mãos. Espalhe a mistura em uma

forma (não é preciso untar) com as mãos umedecidas na água. Depois, passe uma faca no sentido horizontal e vertical para dividir previamente as bolachinhas (esse processo deve ser repetido, seguindo as guias previamente marcadas, após as bolachinhas terem assado e estarem f

rias. Caso prefira o formato redondo, pode-se fazer bolinhas com a massa crua e achatar com o dedo ao dispor na forma). Coloque no formo em temperatura baixa por 40 minutos (depende do forno) ou até que as bolachinhas estejam sequinhas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Cozinhar é...

DIFÍCIL

Com o final do mestrado(*) tenho me sentido mais leve para escrever e ler sobre os mais variados assuntos. Sim, no mestrado a leitura é mais dirigida, e a escrita é bem diferente, bastante, muito exigente!

Mas, apesar da “liberação” dos temas para a leitura e uma inquietante sensação parecida com “necessidade de ler de tudo”, tem assuntos que mais me interessam: aqueles que envolvem a educação, os filhos (e cães) e a saúde (e tudo o que a envolve). Os temas da saúde me acompanham desde bem jovem (sonhava em fazer medicina - um segundo plano seria a veterinária. Por um motivo ou outro não aconteceu, e até hoje parece que esse “capítulo” da vida me faz falta). Esse foi o motivo para eu fazer nutrição e dietética no EM. O estágio no Hospital de Caridade de Taquara foi uma época de muitas alegrias. Adorava ir lá! Lembro, também, das aulas práticas daquele período; sempre era um prazer, nunca um dever!

A partir dessa etapa - e em meio a ela –, comecei a ler mais atentamente as receitas culinárias. Minha mãe tinha (acho que ainda tem) um livro chamado “Comida gostosa”, não lembro o autor. Ele me foi útil nas pesquisas para os trabalhos de aula daquela época, pois, além do grande número de receitas, também continha dados nutricionais dos alimentos – coisas importantes nas disciplinas estudadas.

Mas, desde aquela época, um item presente em cada receita chamava (e chama) a atenção: a inscrição do “grau de dificuldade” para o preparo das receitas (é comum alguns livros, revistas ou sites apresentam tal consideração junto às receitas). Mesmo com a inscrição de “receita FÁCIL”, eu não as considerava (nem considero) dignas de serem intituladas de receitas fáceis. Isso, pois, para mim, o “fácil” está sempre amparado, em certa medida, na disponibilidade de tempo para fazer a receita, em ter a mão todos os ingredientes (ou dispor de dinheiro e lugar para comprá-los: Não se encontra em qualquer lugar a essência de panetone ou a massa folhada para tortas ou o creme de leite fresco etc.), em dispor dos equipamentos culinários necessários (não estou me referindo a panelas e outras coisas comuns, mas “aquele ralador fino para o alho” ou “aquela faca de descascar batatas” ou aquele multiprocessador que pica de modo Y ou aquelas forminhas de quindim, em ter um forno que assa por igual, enfim...), em não ter outra atividade de mesmo grau de importância para fazer naquele momento, em estar sozinha na cozinha ou, ao menos, somente acompanhada de alguém que esteja envolvido da mesma maneira na confecção da receita...

São vários os itens que podem fazer da receita “fácil” um tormento, um momento estressante, um desestímulo para praticar a arte de cozinhar. Ou seja, nem sempre o que é verdade para quem escreveu a receita, é uma verdade para quem vai fazê-la – nem vou entrar na questão do resultado final: por que a minha elaboração da receita não resultou em igualdade visual da receita da foto?

O mesmo acontece com as ditas receitas “simples” para reaproveitar as “sobras”, criando uma “cara” nova com o alimento de ontem... a história pode não ser nada simples. O fato é que, além de gostar de cozinhar, é preciso um grande conjunto de coisas e envolvimentos para por à mesa uma refeição que seja saborosa para quem come e prazerosa para quem a faz.

Sim, eu gosto de cozinhar! Mesmo quando tinha os filhos pequenos, às vezes dois ao mesmo tempo “grudados” nas pernas e com o relógio insistindo em acelerar o seu tempo para a hora do almoço ou do jantar, eu sempre adorei cozinhar! Claro, nem sempre foi fácil, nem sempre tive à mão os produtos que queria, nem o sossego para “criar” algo especial. Mas, talvez, os fatos e circunstâncias pelas quais passei me serviram de refinamento e entendimento para o que hoje me considero: uma cozinheira prática (utilizar o que tenho em casa, fazendo adaptações) de estilo “natureba”. Ou melhor, produzir refeições ou pratos pouco complicados e ditos saudáveis para os filhos, para a família. A minha verdade é que adoro inventar pratos que envolvam a utilização de produtos naturais, chás e temperos, seja com pratos novos ou aproveitando sobras de alimentos. Isso, sem falar, se tenho a possibilidade de utilizar na preparação de um prato, algo que eu mesma tenha plantado e colhido! O gosto, com certeza, é outro!

E, caso o (a) leitor (a) tenha interesse em aderir às minhas receitas, segue uma com “sobras” de pinhão. Nesta época de inverno, no Rio Grande do Sul, o pinhão (que é a semente da Araucária angustifólia; sua polpa comestível – assada ou cozida - é basicamente formada de amido) é bastante consumido e, como qualquer alimento, muitas vezes sobra pequenas quantidades cozidas. Por ter o gosto alterado um dia após o cozimento, geralmente os pinhões não consumidos são colocados fora. É com eles que preparo um bolo:

Bata no liquidificador:

4 ovos

1 copo de leite

2 colheres de óleo de canola (ou outro; pode ser utilizada a margarina ou a manteiga)

Pinhões “amanhecidos” descascados

½ xícara de açúcar mascavo

½ xícara de açúcar cristal (pode ser o refinado. Caso não tenha em casa o açúcar mascavo, coloque 1 xícara de açúcar cristal ou refinado)

2 colheres de sopa de extrato de soja (opcional. Utilizo esse ingrediente por conter isoflavona)

Depois de liquidificar, coloque o líquido em uma tigela, acrescente farinha e bata vigorosamente até obter uma consistência de creme grosso. Junte, finalmente, 2 colheres de fermento em pó (para bolo). Coloque em uma forma untada e enfarinhada (pode, também, untar e espalhar açúcar levemente. O bolo não gruda e sai caramelado).

Asse em forno médio (dependendo do forno, por 40 minutos) até dourar.

É, cozinhar é difícil, mas pode oferecer satisfação e refeições saudáveis para toda a família.

(*) O meu trabalho de mestrado, resumidamente, refere-se a demonstrar que revistas institucionais (aquelas que são produzidas por instituições ou entidades e distribuídas aos associados ou sócios) têm funções pedagógicas. Nessa concepção, a revista institucional funciona como uma pedagogia cultural, como um mecanismo de representação, ao mesmo tempo em que opera como constituidora de identidades culturais. Caso o leitor deseje mais algum dado, entre em contato.