quarta-feira, 28 de março de 2012

Um lugar para chamar de lar


Sempre me percebi como cidadã do mundo: o lugar para morar é onde estava. Há pouco tempo atrás percebi que o lugar onde moro é em várias cidades: Além de Três Coroas, moro em Porto Alegre, Taquara e Canoas. Por quê? Porque o que de melhor produzi reside, estuda ou trabalha aqui, lá e acolá. Ou seja, é onde mora o meu coração, é onde trabalham e moram os meus filhos.
É interessante pensar que não faz muito, Porto Alegre, que me significava um lugar de trabalho e lazer, passou a ser também o meu lar. Isso, porque, com os filhos crescidos, as faculdades e os trabalhos, novos rumos precisavam ser buscados, conquistados e amados. E o Interior, com seu ar de ‘família’ precisava ser superado, ou até, quiçá, ser ‘implantado’ nas ruas da Capital. E é na agitada e, paradoxalmente, interiorana Av. Protásio Alves, que encontrei mais um lugar para o meu coração morar. Com seus corredores de ônibus, a agitação e a pressa das pessoas, vi um burburinho de vida bairrista, de sentimentos de amizade e cooperação entre as pessoas. Parece que algo de mágico acontece por lá, uma mistura de inquietude e paz inexplicável que encanta e cativa (será verdade ou estou querendo enxergar tal situação?). Sei, ao certo, que hoje, Porto Alegre é mais um lugar para chamar de lar.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Eu pesquiso marcas


Qual a imagem ou palavra que é forte na tua lembrança? Acredito que essa imagem ou palavra, muito provavelmente (não se tratando de questões familiares),  relacione-se com uma marca. Isso, porque, uma marca tem força, tem impacto na sociedade. É inegável que há uma força que as conduz, afinal, por que uma imagem ou uma palavra é lembrada depois de publicada ou apresentada ou divulgada?
Para mim, a lembrança ocorre através do conceito que cada marca produz ou traduz. E esse conceito é também aquilo que diferencia uma marca da outra. Então, o conceito criado é tudo. Mas como ele pode ser produzido?
Entendo que o conceito produzido é fruto de um plano estratégico que posiciona uma marca X em determinado momento do mercado. É um processo que forma (ratifica) uma identidade, uma maneira de ser e estar, um estilo dentro de uma cultura. Então, para haver “negociação” entre consumidor X produto é fundamental agregar os valores importantes do mercado a que se destina o produto. Assim, se constroi uma essência, um conceito que se destaca e se expande junto aos formadores de opinião. A imagem adquirida, desta forma, posiciona a marca e agrega valor ao produto. Ou seja, o produto passa a ‘encantar’ o desejo do consumidor aliado à necessidade - quem nem sempre tem um valor concreto. Realmente uma marca tem força na sociedade. Pense nisto.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Trapaças da atualidade....


Acredito que maioria das pessoas concorda comigo: a evolução da internet e a efetivação das relações nas redes sociais são uma coisa muito boa. Encontramos amigos, colegas de infância, pessoas queridas que há muito não se tinha notícias, que há muito tempo suas fisionomias e nomes estavam esquecidos por causa da agitação e do corre-corre; por causa dos redirecionamentos da vida, enfim.
É Também, nas redes sociais, que ‘falamos’ com a família, com os vizinhos e com as pessoas da comunidade, pois, mesmo próximas, por um motivo ou outro não conseguimos conversar de corpo presente. Essa inter-relação acontece no “Face”, no “Orkut”, no “Twitter” e até pelo ‘obsoleto’ "e-mail". 
Mas parece-me que, mesmo com tamanha facilidade de comunicação, nós, os ‘internautas’ temos, justamente, dificuldade com a própria expressão: copiamos textos, poesias, frases com ênfases para expressar sentimentos e vivências. Não usamos textos criados por nós para relatar  o que se pensa, o que se deseja e que mundo queremos criar. Parece que as palavras não brotam com facilidade. Será que é pela facilidade de acesso a tudo e a todos - incluindo os escritos e ditos?
É uma trapaça da atualidade: tal facilidade da tecnologia nos agrega, mas, ao mesmo tempo, nos distancia do "eu autor", ou seja, nos induz à coautoria. É uma trapaça da atualidade, pois apresenta a facilidade da comunicação, mas parece distanciar um autor da escrita. É mais fácil copiar e compartilhar do que criar. Parece que passamos por uma fase que só se pensa e sente com a voz do outro. Com a nossa, em raros momentos de escrita, resumimos ao máximo o que queremos dizer: Vc eh D+:D
Evoluímos ao utilizar a tecnologia, mas retrocedemos na escrita, na expressão própria. Concordo que comunicar-se com clareza não é tarefa das mais fáceis, e parece que estamos num decrescente nesse assunto. Será pela dificuldade da língua? Não há como negar que por mais necessária que seja, a língua Portuguesa sempre teve o dom de torturar a todos (porque mesmo os mais entendidos tem uma dúvida cedo ou tarde). Pensem na 'singela' vírgula, por exemplo, além de marcar a nossa respiração ela influencia o sentido de uma frase,  ela pode sumir com o seu dinheiro (3,99 - 39,9), ela muda uma opinião: Não queremos saber! Não, queremos saber! E por aí vai o Português....dificultando a escrita! Será esse o problema?
Será que estamos num momento da evolução em que seremos seres de pouca escrita? Quantas frases você já escreveu hoje?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012


Uma folha...

Nem sei se ainda é possível dizer: - Fiquei ‘estaqueado’ frente a uma folha de papel em branco. Não consegui escrever!

Talvez melhor trocar o termo folha de papel por página do Word.

Não saber como começar a escrever acontece com muita gente. Parece que o branco assusta. Não, talvez se a folha (a página de Word) fosse vermelha ou azul ou amarela, o entrave seria o mesmo. O que assusta é o vazio. Até porque depois das primeiras palavras, mesmo quem não é fã da escrita, arrisca uns comentários. Com erros de português ou não, qualquer um faz um texto.

O problema é mesmo o vazio. O vazio também na conversa. Numa reunião ou encontro, por exemplo, é preciso que alguém ‘corte’ o vazio com um comentário tipo: - será que vai chover? – para a conversa fluir. Quase sempre ela (a conversa) acaba num assunto bem diferente. Talvez nem seja lembrado mais o tempo, a chuva, o calor. Sumiu o vazio!

Sim, a culpa é do vazio. O vazio também é culpado pela depressão que acomete algumas pessoas nas festas de final de ano. Ele, o vazio, também é culpado pelos problemas familiares: casamentos desfeitos, pois se tornaram vazios (casais tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo); pais e filhos distantes com relacionamentos conflitantes porque o relacionamento é vazio. Será do vazio também a culpa pela dogradização?

Talvez o sucesso da sociedade materialista em crescente ascensão também é culpa do grande vazio da alma da população. As pessoas buscam ‘preencher’ o vazio através do consumo. É, parece que tudo é culpa do vazio.

Bom, se achamos o culpado, então, para ter sucesso na escrita, numa boa conversa, na família, na realização como ser humano etc., é preciso ‘trabalhar’ o vazio. Porque fugir dele não adianta!

Meu desejo? Conselho? Que todos usem, abusem e aprendam a conviver com seus vazios para encontrar a felicidade, pois ela surge na medida em que superamos o vazio!