Ser natureba é comprar o produto no seu modo mais rústico– ou, de preferência, colhido na horta -, lavar, picar, cozer (exceto ao que se refere aos farináceos e grãos. Não penso em plantar trigo e moê-lo, por exemplo)... Sim, ser adepto da cozinha natureba não é fácil!
É claro, confesso, não sou 100% cozinheira natureba no dia a dia: nem sempre sovo e abro uma massa, nem tampouco preparo o pão de cada dia, por exemplo. Também tenho meus dias de ‘lasanha pronta’ tirada da caixinha! Ser 100% natureba requer tempo, muito tempo,
coisa que só eventualmente tenho. Então, na maioria dos dias, sou somente 50% de uma cozinheira nesses moldes! Mas, nos finais de semana uso e abuso 100% das experiências da/na cozinha.
Um exemplo que acredito ser fiel na modalidade natureba de cozinhar é o Jamie Oliver (quem ainda não assistiu a um programa dele - ou leu um de seus livros - precisa assistir para entender a maneira de cozinhar que falo). É eu sei, ele tem tempo destinado só para isso; ganha dinheiro assim. Mas não dá para negar que dá gosto vê-lo cozinhar. Ele nos dá a sensação de que também somos capazes de fazer com sucesso o que ele faz. Ele é diferente dos demais ‘chefs’ que vemos por aí na mídia ou em renomados restaurantes. Mesmo que ele sempre busque dar uma apresentação final ‘bonita’ nos pratos que prepara, ele não tem aquelas minúcias (e adereços) que nos fazem desistir de cozinhar ou preparar uma receita.
Com certeza, aderir para a cozinha natureba é difícil: comprar pronto é mais fácil e, não dá para negar que, culturalmente, a comida orgânica ou natureba tem sinônimo de coisa difícil de fazer e ruim de comer! É por isso que para ser cozinheira natureba (ou ter estímulo para continuar sendo) há a necessidade de “cobaias” para experimentar as invenções e readaptações re
alizadas na produção de um alimento. Alguém que se disponha a experimentar, provar, questionar, sugerir e, até, elogiar. Uma “cobaia” é imprescindível! Até algum tempo atrás, além da minha filha do meio, a Paulinha, que é minha provadora oficial quando está por casa, tinha, ainda, uma fiel amiga e provadora do que eu produzia: Elisângela Piccolli de Bastiani (agora mora na Capital). Toda e qualquer receita que preparava, independente das diferentes misturas, ervas e grãos, era só avisar que ela, com aquele lindo sorriso, estava pronta para provar e dar um parecer. Saudades que tenho dela! Atualmente estou recebendo novas adeptas: algumas colegas da minha filha mais nova, Roberta. Por coincidência, uma dessas amigas se chama Paula.
Bom, como é final de semana, criei uma bolachinha bem natureba e muito, muito fácil de fazer (lógico, é preciso ter os ingredientes! Mas vale fazer adaptações.):
Numa tigela misture ½ xícara de farinha integral, ½ xícara de farinha de linhaça, ½ xícara de aveia em flocos, ½ xícara de extrato de soja, ¼ xícara de açúcar mascavo, ¼ xícara de mel; 1 colher de sobremesa de canela em pó; ½ colher de sobremesa de raspas de casca de laranja ou limão, 1 colher de sopa de fermento em pó, 4 colheres de azeite de oliva extra-virgem, suco de 1 laranja ou ½ xícara de água, 1 colher de essência de baunilha.
Misture tudo inicialmente com uma colher, depois com as mãos. Espalhe a mistura em uma
forma (não é preciso untar) com as mãos umedecidas na água. Depois, passe uma faca no sentido horizontal e vertical para dividir previamente as bolachinhas (esse processo deve ser repetido, seguindo as guias previamente marcadas, após as bolachinhas terem assado e estarem f
rias. Caso prefira o formato redondo, pode-se fazer bolinhas com a massa crua e achatar com o dedo ao dispor na forma). Coloque no formo em temperatura baixa por 40 minutos (depende do forno) ou até que as bolachinhas estejam sequinhas.
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