quarta-feira, 20 de julho de 2011

Moda, corpo e felicidade

Dias atrás escrevi sobre a moda, enfatizando que ela nos direciona para aspectos diversos, ou seja, além de favorecer o consumismo permanente ao gerar ‘necessidades e desejos’ nas pessoas, a moda, de alguma maneira, pode permitir ao ser humano constituir e/ou reforçar identidades e inserção social a partir do que ela oferece e encanta ao imaginário pessoal através de suas tendências. Entendo que esse enfoque representa dizer que ela, conforme Lipovetsky (O império do Efêmero, 2010) “traduz a emergência da autonomia dos homens no mundo das aparências; é um signo inaugural da emancipação da individualidade estética, a abertura do direito à personalização, ainda que esteja evidentemente submetido aos decretos cambiantes do conjunto coletivo”.
Com tal pensamento, parece-me que a moda veste o corpo e a alma das pessoas. Então, pela moda também se busca a felicidade; a felicidade ou satisfação apreendida quando se veste o corpo com roupas e acessórios, numa sensação de liberdade da escolha e da (re)afirmação da independência estética. O corpo, nesse entendimento, se torna um objeto para a criação do nosso Eu e para aquilo que aspiramos. Ele (o corpo) se torna um significante daquilo que somos e que queremos ser.
O corpo, com a moda, passar a ser entendido por uma perspectiva de significante em meios as representações que vão interpelando e interagindo com cada um/a de modo a posicionar-nos a ocupar determinados lugares nas nossas vivências cotidianas. O corpo, nesse entendimento, se veste (é vestido) em meio a um jogo de representações e vai produzindo identidades, pois as representações ao produzirem determinados significados, estabelecem identidades sociais e define quem nós somos, como deveríamos ser e, quem são os outros. O corpo se insere, então, como um construto social, pois é nele que marcas e símbolos culturais são inscritos e funcionam como um modo de classificar, agrupar, qualificar e diferenciar: magro, alto, belo, jovem, branco, saudável, executivo, teen, etc.
Com a moda, corpo e alma vivem em sinergia na construção dos desejos e anseios de cada um de nós.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A moda


Falar e escrever sobre moda é como falar um pouco de nós mesmos. Mesmo que não tenhamos o hábito para constantes trocas de “guarda-roupa”, motivadas pelas tendências da estação (até, porque, estar 100% na moda pode extrapolar nossas economias), um item, um acessório, uma composição para somar aos itens que já possuímos, ou mesmo, a necessidade de comparecer em uma festa ou evento social nos leva a procurar, estudar, analisar o que a moda está ditando para o momento.
Assim, é possível dizer que todos, em algum momento, em alguma situação pensam e vestem a moda. A moda parece, dessa forma, fazer parte da nossa construção como pessoas inseridas numa cultura, numa sociedade. A moda é um símbolo que nos coloca dentro de uma determinada cultura. Ela nos faz fazer parte de um conjunto de pessoas numa mesma “linguagem” de estilo para vestir o corpo. Ou seja, não penso na moda unicamente como um símbolo de beleza e bem-vestir, mas um meio de inserção, de comunicação de representação daquilo que sou, do que pretendo ser... A moda que visto diz muito do que sou; ela é um símbolo que traz um significado daquilo que sou (é claro que dizer o que significa algo é como dizer como a cor preta deveria, por regra, fazer as pessoas se sentirem, ou seja, a cor preta tem significados diferentes para cada um: para alguns é luto, outros é sofisticação. Assim, uma cor, por exemplo, tem significados diferentes em lugares diferentes).
A moda pode ser vista, em tais parâmetros, como uma instituição social. Segundo Lipovetsky (Império do Efêmero, 1989), a partir da década de 1960, a moda da Alta costura perde poder, dando lugar ao prêt-à-porter (produção industrial atrelada a produtos de boa qualidade, acompanhando as tendências) o que permitiu que vários segmentos de classe social tivessem acesso a moda. Processo que possibilitou ao ser humano expressar sua individualidade e personalidade por meio da roupa, como um estilo de vida, atitude e comportamento.
Mas, é preciso dizer que o caminho da moda também gerou e criou “necessidades e desejos” na sociedade. No entanto, acredito que mesmo que a moda tenha poder de criar o consumismo, ao mesmo tempo, ela permite ao ser humano constituir e/ou reforçar identidades e inserção social a partir do que ela oferece através de suas tendências.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ter sucesso


A palavra ‘sucesso’ é um substantivo masculino utilizado há muito tempo para expressar um acontecimento/resultado feliz e positivo em qualquer feito, ação ou área das relações humanas. Entendo que ‘sucesso’ é o que todos nós desejamos para os filhos, amigos, parentes, negócios, atividades particulares ou profissionais.
E sucesso é fácil? O sucesso depende de quê? Como ter sucesso nos dias de hoje, em qualquer coisa que se faça, se somos constantemente submetidos a enfrentar superações e dificuldades deste mundo conturbado, competitivo e desorientado?
Algumas vozes sugerem na mídia e em alguns estudos acadêmicos que o sucesso depende ou está associado à urgência de uma educação para o empreendedorismo, com o estímulo ao desenvolvimento sustentável, como uma eventual saída para os desafios apresentados na atualidade, sejam eles na família, no trabalho, nas demais relações humanas. Mas, sustentabilidade? Por que preocupar-se com a sustentabilidade de ‘amanhã’, se hoje existem questões que ameaçam o nosso próprio sustento?
Empreendedorismo e sustentabilidade para ter sucesso? Vejamos que o conceito de “empreendedorismo” está presente na nossa história social e econômica recente (é o termo utilizado para especificar o indivíduo que apresenta uma forma inovadora de se dedicar ao que faz ou trabalha). O mesmo pode-se dizer sobre o termo “sustentabilidade”, usado oficialmente, pela primeira vez, na Assembléia Geral das Nações Unidas em 1979 (que, a princípio, visa suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas – ou seja, garantir recursos (água, alimento e energia) e bens sociais (saúde, educação, habitação) básico para todos os seres humanos). Em tais termos, empreendedorismo e sustentabilidade parecem dirigir-se a metas diferentes.
Mas, apresentar esses dois fenômenos como complementares para atingir o sucesso pode não ser uma equação complexa. Entendo, que essa combinação de empreendedorismo e sustentabilidade como diretrizes para o sucesso, podem se encaixar na medida em que tal parceria extrapole os limites de uma perspectiva econômica restrita à ideia de que ter sucesso é apenas crescer sem poluir. Isso, porque, além do termo empreendedorismo atualmente se ancorar na teoria do “capital humano” voltado para a produção de indivíduos que tenham como características a inovação, a criatividade, a invenção, a definição de sustentabilidade também deixa de ser somente usada como meio para preservação dos recursos naturais e da viabilização de um desenvolvimento que não agrida o meio ambiente.
Sob essa visão, o sucesso implica no equilíbrio do ser humano consigo mesmo e com o planeta, referindo-se ao sentido do que somos, de onde viemos e para onde vamos como seres humanos, na medida em que ao sermos empreendedores, também tenhamos a capacidade de agir para o bem comum. O sucesso, então, está imbricado de valores e princípios que criam condições de emancipação para pessoas, grupos, organizações e comunidades que permitam a todos se situar perante a realidade e atuar sobre ela de maneira solidária, produtiva, criativa e transformadora. Sucesso atual pode, assim, ser igual a soma do empreendedorismo e da sustentabilidade com criatividade, inovações e comprometimento.