Eu adoro fotografia! Confesso que na época da película eu me
encantava muito mais pelo processo que demandava, pela expectativa do resultado..!
Contudo, a evolução da tecnologia e da Internet permite imagens de qualidade e
instantâneas para um universo de pessoas. É fato que a fotografia nos acompanha
por todo o lugar, principalmente se falarmos a respeito das redes sociais.
Atualmente vemos o mundo que estranhos vivenciam, viajamos com amigos,
presenciamos qualquer momento de nossos familiares distantes ou próximos, vemos
tragédias e vitórias, vemos o Mundo de perto e de longe...
Nossos jornais e as revistas de todos os tipos (das
institucionais às de moda) ressaltam em suas capas e, em todo o interior, as
fotografias. Fotografias que, em maior ou menor evidência, nos comunicam,
seduzem, chamam a atenção, produzem um apelo ou fazem parte de um complemento
informativo, tanto da manchete principal como das secundárias.
Muitos estudiosos falam de imagens. Das imagens relacionadas
com revistas e jornais, Marília Scalzo (Jornalismo de Revista, 2003) destaca
que as capas de revistas, com suas pictografias, são feitas para vender. O foco
é encantar o leitor e proporcionar destaque na competição para a venda nos
expositores das bancas. Há, porém, revistas que utilizam fotografias, mas não
precisam vender. Em meu trabalho de mestrado, analisei as revistas
institucionais. Essas não precisam concorrer pelo gosto do leitor em bancas. De
fato, tal utilização de fotos tem muitos propósitos e buscam por agregar um
assunto da pauta à atual sociedade que privilegia o sentido da visão. Tipo uma
sinergia com ‘o mundo’ exclusivo de que a revista aborda. Revistas industriais,
por exemplo, buscam layout com
engrenagens, peças, motores, vendas, pessoas na vida laboral, etc., ou seja,
agregam textos/imagens às faces dos temas específicos para a divulgação e
visibilidade das análises e abordagens enfocadas...e algo mais...
As imagens se tratam de uma ‘linguagem’ atributiva para a
compreensão dos sujeitos, das coisas e dos temas relacionados, construindo e
disseminando significados a respeito dos mesmos. Stuart Hall (1997) fala da
produção de conhecimento através da linguagem e da representação e ao modo como
o conhecimento é institucionalizado, modelando as práticas sociais e, dessa
maneira, pondo as práticas em funcionamento, produzindo identidades, marcando
diferenças, constituindo identidades.
Então, fotografias entendidas como representações (conceito que
envolve a utilização da linguagem, dos sinais, dos signos, das imagens que tem
um significado ou representam algo para as pessoas), ao produzirem determinados
significados, estabelecem identidades sociais, definem quem nós somos, como
deveríamos ser e, também, quem são os outros, como devemos nos portar,
trabalhar, divertir..Trata-se do elo entre os conceitos e a linguagem
utilizada, aqui com referência às imagens, que nos possibilita interpretar e ‘definir’
o mundo de maneira mais ou menos parecida, compartilhada, dando sentido àquilo
que somos e para a experiência tanto nossa como a representada.
Ao perceber tais concepções, há a ampliação do conceito de
pedagogia, com a inclusão também das imagens. Isso significa dizer que a
educação é abrangente. Silvio Gallo (Deleuze & a educação, 2008) ao se
referir à educação, expressa que o aprendizado “não pode ser circunscrito nos
limites de uma aula, da audição de uma conferência, da leitura de um livro; ele
ultrapassa todas essas fronteiras, rasga mapas e pode instaurar múltiplas
possibilidades”(p.85).
Assim, podemos perceber a fotografia como uma instância
social que dissemina conhecimento, narra práticas e princípios pela criação de
contextos e representações que circulam nela. A visualização de imagens permite
que pensemos sobre as fotografias para compreender seus alcances, seus ‘apelos’,
seus valores, suas compreensões, seus posicionamentos políticos, seus papéis
sociais constitutivos, etc.
Para ampliar a importância de pensarmos no poder de
representação das fotografias, basta observar sua presença no mundo dos meios
de comunicação e social atual, sua presença em diversas culturas, junto aos
mais diferentes públicos etários, mostrando, criando, ilustrando, instituindo
hábitos, maneiras e costumes.
Ao perceber representações em cada fotografia, as entendo
como uma embalagem de ideias que fala, que ensina, que direciona, que interage
com as nossas percepções numa visão de mundo da perspectiva, dos signos e, sim,
do olhar do fotógrafo. Ou seja, para aquilo que importa à pessoa que fotografou,
ou do que quer dizer, mostrar, transmitir, indicar e provocar reflexão, nos
inserindo em contexto sugerido, num ponto de interesse específico, de maior ou
menor valor, buscando a consciência dos elementos que o cercam, produzindo,
construindo nexos, fazendo circular significados.
Assim, da próxima vez que olhar uma fotografia, analise,
perceba, entenda o que ela diz, o que ela representa, o que ela ensina?
