quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Revistas institucionais, um gênero particular de revistas
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
A revista: um gênero que ensina
Como comentei em texto anterior, com o título ‘empresas + revistas...’, escreverei mais sobre o tema que envolve a pedagogização das revistas. Entendo ser necessária a exposição para chegar até minha pesquisa de mestrado, que envolve estudos sobre revistas institucionais (e como elas podem ou pretendem envolver e ensinar os leitores). Hoje busco explicar sobre o 'gênero' revista. E, como bem sei, em toda a explicação sempre há uma história a ser contada. Aqui vai a minha: Sabem como surgiram as revistas?
Acredito que o fascinante ao ler sobre algumas da muitas histórias acerca do surgimento das revistas nas culturas ocidentais contemporâneas é perceber que toda a incontável indústria editorial atual começou com poucas ideias que foram se reconfigurando no decorrer dos anos. No mundo ocidental, de acordo com pesquisadores, a primeira referência de revista que se tem notícia se chamava Edificantes Discussões Mensais e surgiu, em 1663, em Hamburgo, na Alemanha. Ela parecia um livro, mas com assuntos variados e, teria sido percebida pelos leitores com a mesma função de uma loja – lugar onde é possível olhar e comprar somente o que deseja – ou seja, olhar e ler somente o que se deseja ou interessa. Daí advém o nome “magazine”, originária da palavra árabe al-mahazen, que significa armazém ou depósito de mercadorias variadas. No francês, magazin, além do significado de revista, a denominação também se refere a uma loja de departamentos. Em 1665, surgiu a revista francesa Jornal dos Sábios, um publicação sobre ciências; e, a revista inglesa, denominada Transações Filosóficas. Já em 1668, surgiu uma referência na Itália, denominada Jornal dos Literatos.
Por volta de 1812, surgiu no Brasil a revista As variedades, em Salvador, na Bahia. Ela tinha, assim como as internacionais, um formato de livro, em preto e branco, e publicava assuntos variados com textos sobre costumes, virtudes morais e sociais, algumas novelas, fatos históricos nacionais e internacionais, artigos com estudos científicos e algumas anedotas. Nos anos seguintes, outros estados, como o Rio de Janeiro – com o Patriota –, passam a publicar revistas e ampliam o foco de interesses ao divulgar autores, temas da terra e vários campos do conhecimento humano – Medicina, Engenharia, Direito etc.
Parece que pouco mudou até os dias atuais no que se refere às revistas. Isso porque, percebemos que as revistas continuam a entrelaçar uma mistura de jornalismo, educação e entretenimento. Contudo, parece-me que foi acentuada a busca para a relação com os leitores, no intuito de ir além da transmissão de notícias e diversão, ou seja, que pela experiência da leitura se estabeleça certa identificação entre os leitores e editores. É possível perceber isso ao observar a delimitação de seções e tipos de públicos que as lerão, pois a revista pode focar nos possíveis perfis de seus leitores, proporcionando produtos e serviços que, supostamente, seriam do seu interesse. Seguindo essa ideia, me antecipo ao falar das revistas institucionais, onde o estabelecimento de certa identificação pode ocorrer de forma mais intensa, já que quem edita a revista (instituição/entidade) dirige-se para um público específico e com interesses possivelmente congruentes.
Outro aspecto que pode caracterizar a revista como um gênero é pensar no imediatismo das notícias. O imediatismo está presente nos textos on-line e em jornais (que são substituídos diariamente) é rápido, preciso, porém 'ralo'. Já nas revistas, encontramos a peculiaridade que parece escutar o que o leitor quer, e podem apresentar maior profundidade nos conteúdos, apontar reflexões e opiniões. Com essa característica, me dirijo a um âmbito mais específico, a olhar para as revistas institucionais e o quanto estão imbricadas na produção de valores e racionalidades de segmentos específicos da sociedade, criando e fazendo circular representações diversas sobre a indústria, o industriário, a tecnologia, a educação, a logística, a medicina etc. Assim, pode-se dizer que as revistas funcionam como dispositivos que ensinam e sugerem como os indivíduos devem se comportar, o que devem aprender, onde e para quê.
Neste processo, o sujeito leitor passa a ser mais do que um consumidor, pois, ele passa, também, a ser um ator em meio a uma gama de textos, imagens e cores. Por meio das revistas, os sujeitos têm a possibilidade de aproximação com o que os outros pensam, fotografam, desenham, modelam, etc.; os sujeitos têm, também, por meio das imagens midiáticas, a possibilidade de reforçar, aprender, amenizar ou até criar um ambiente, uma atitude, um modo de ser e trabalhar, por exemplo.
Ainda é possível dizer que o próprio design da revista a diferencia de outros meios. Ora, vivemos numa sociedade que privilegia o sentido da visão, então, a tipologia, o corpo e a cor do texto, a entrelinha, a largura das colunas, as margens, o tipo de imagem e a forma como tudo será disposto na página, são as ferramentas que fazem parte da produção editorial das revistas (tanto textuais como pictográficas). Essas ferramentas podem ser analisadas como representações que criam significados e podem ser consideradas como uma das produções culturais mais eficientes na constituição de representações e identidades. Conforme Hall (2008), as coisas não significam: nós construímos o significado das coisas utilizando sistemas de representação construídos através de conceitos e signos. Assim, pode-se dizer que as revistas têm a capacidade de reafirmar identidades de grupos com interesses específicos, funcionando, algumas vezes, como um ‘chip’ de aproximação a eles.
Para ampliar a importância de pensarmos no poder de representação das revistas, basta observar a grande variedade destes tipos de meios de comunicação na atualidade, sua presença em diversas culturas e junto aos mais diferentes públicos etários – que vão dos quadrinhos à moda, à economia, ao esporte, etc. –, descrevendo, contando, ilustrando e instituindo hábitos, maneiras e costumes. Desta forma, a revista, assim como a mídia em geral, está no âmbito das relações produtivas sociais e põe em circulação a agregação de idéias, que instiga gostos, necessidades, oferece dicas, dá pareceres, (in)forma. Seguindo essa idéia, a revista parece atender a uma necessidade humana que se refere a um processo permanente de reconhecimento em que o leitor se vê/percebe como próprio e diferente dos outros ao ler relatos sobre práticas das pessoas ou da sociedade.
Disponível em: http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/209.html.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Dia do Professor
A intenção era continuar escrevendo sobre a pedagogização pelas revistas, porém, fatos como a data de 15 de outubro, a minha mãe - literalmente minha primeira professora – e minha irmã professoras me fizeram redirecionar a escrita deste texto.
Hoje o que mais escutamos são comentários sobre o descompasso da educação, relação disciplinar pais/filhos, professores/salário, professores/alunos. Parece que há pouco para ser celebrado. Acontece que também entendo algo diferente nesse contexto. Olhem para o ‘lado’: frequentemente falamos ou vemos alguém falar ‘obrigado’; esperamos ou vemos alguém dar lugar para uma pessoa mais velha; devolvemos ou vemos alguém devolver o troco recebido a mais; dirigimos ou vemos alguém dirigir com cautela.... Está bem, não é tão freqüente assim, mas ocorre!
Entendo que tais coisas acontecem porque alguém ensinou esses e outros tantos valores e atitudes que praticamos ou vemos praticar. Até mesmo aquele olhar de desaprovação ou êxtase por um ato valoroso só existe porque alguém nos ensinou que aquilo é bom. Ou seja, nossos olhos foram abertos, nossos ouvidos tornaram-se sensíveis, nossas mãos aprenderam a ajudar porque alguém, um dia, nos ensinou caminhos a seguir.
Então, há muito do que se comemorar no Dia do Professor, porque tanto em casa como na escola muita gente é ensinada a respeitar as diferenças, a acreditar no positivo e no bem. Acredite, é uma verdade, porque mesmo com tanto caos, imaginem se nada tivesse sido aprendido em casa e na escola?
Feliz Dia do Professor!
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Empresas + revistas=
Revistas institucionais! As revistas institucionais parecem estar inclusas entre os itens com custo/benefício empresarial positivo (se fosse o contrário, não teríamos tantas revistas deste gênero circulando entre empresas e entidades e seus sócios/clientes). É possível perceber que elas são o meio de comunicação responsável por disseminar novos conhecimentos, estabelecer relações, realizar análises e educar leitores num determinado setor social, onde o estabelecimento de certa identificação pode ocorrer de forma mais intensa, já que quem edita a revista (instituição/entidade) dirige-se para um público específico e com interesses possivelmente congruentes.
Com tal ideia entendo o caráter pedagógico exercido pelos textos veiculados por essas revistas, pois o leitor (ou mesmo os ‘meros folheadores de páginas’) ao estar em contato com os textos, as fotos e as cores de artigos, crônicas e notícias, esta entregue a uma prática cultural agradável que acaba por seduzi-lo e levá-lo a se identificar com certas opiniões, disposições e posicionamentos (e atentem: isso se torna o caráter de custo/benefício positivo da revista para uma empresa).
Sim, neste primeiro texto de uma série que irei publicar, o que pretendo é despertar para a pedagogização das revistas institucionais (que entendo como o link que coloca a revista institucional na relação custo/benefício positivo das empresas e entidades), que, através das múltiplas formas utilizadas para capturar seus públicos, de algum modo procuram modelar e produzir determinados tipos de trabalhadores ou maneiras de trabalhar e estar em determinado setor social.
Vejamos que os textos, as fotos, as legendas, as chamadas, os anúncios publicitários inevitavelmente lidos, vistos pelos leitores “institucionais”, permitem que pensemos sobre tais revistas para compreender os seus alcances, seus apelos, seus valores, suas compreensões, seus posicionamentos políticos, seus papéis sociais constitutivos etc (e sua positividade da relação custo/benefício). Ou seja, são expostos aos leitores da revista o que a instituição ou entidade pensa que a indústria, os serviços, o comércio, o transporte etc. deve ser, quais os desejos e expectativas que a instituição/entidade tem para os profissionais ou pessoas envolvidas naquele determinado setor. E, ainda, que através da experiência da leitura nas revistas institucionais os seres humanos também podem orientar os seus pensamentos e suas condutas, pois são ensinados e pedagogizados através das representações ali contidas para se posicionarem como sujeitos pertencentes à determinada situação social.
Assim, refletir sobre o processo de estabelecimento e circulação de representações do que envolve a indústria, o comércio, bens e serviços nas produções textuais de uma revista institucional me permite pensar nos significados que são produzidos oportunizando a possibilidade para respostas como: Quem é um industriário, um comerciário, um profissional liberal? Como a indústria, o comércio, os bens e serviços são trabalhados e quais suas expectativas atuais? O que é importante para essas entidades? O que é verdade para a indústria, o comércio, os bens e serviços em geral?
Ainda, com tais pensamentos sobre as revistas institucionais, também passo a pensar que quem tem o poder de contar, relatar e construir como deve ser e estar o outro é quem estabelece as representações, ou seja, é quem institui o que pode e o que não pode ser considerado verdadeiro e praticável para aqueles pertencentes ou ligados a uma entidade ou instituição. Isso representa dizer que quem estabelece o verdadeiro e praticável em determinado setor realiza uma pedagogização.
Nesses termos, convoco a refletir nas revistas institucionais funcionando como uma pedagogia cultural, um mecanismo de representação, onde os textos (incluído aqui os pictóricos) veiculados produzem um conhecimento e fazem circular significados sobre diversos assuntos, como o trabalho, a educação, os transportes, o comércio, por exemplo. E, ainda, tais textos também são espaços que naturalizam verdades sobre a formação de habilidades e competências para se estar no mundo do trabalho, da educação, do comércio, etc.
Entendo assim, que o apontado até o momento é o que agrega a uma revista institucional o valor de custo/benefício positivo. Isso, porque, as representações veiculadas nos textos de uma revista estão carregadas de preceitos e, dessa forma, permitem compreender como, em uma revista institucional – especializada em determinado setor como o industrial, o comercial, o de logística etc. –, ocorrem processos de instituição de identidades através de determinadas representações e estratégias que ensinam como ser um trabalhador da indústria ou um comerciário, por exemplo, e promover o desenvolvimento pessoal e coletivo naquele setor social, o que se torna um investimento para a instituição/entidade.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Relacionamento animal
Uma “das segundas” coisas que mais gosto de falar, ler e escrever é sobre animais, sobre a convivência deles com os seres humanos. E parece-me que pelas leituras e estudos dos dois últimos anos, a partir do encontro com os Estudos Culturais (que colocam a cultura no centro das discussões contemporâneas, entendendo-a como sendo responsável pela própria produção e ordenamento da vida social), por mais incrível que possa parecer, oportunizaram-me ampliar a visão sobre as práticas do ‘relacionamento’ com os animais, ou seja, ver tal relacionamento como uma construção social. Isso, porque, passei a entender a hierarquia histórica dono/animal (agressão, violência, etc.) até a relação atual proprietário/pet (humanização dos animais) como um processo que foi sendo construído e praticado como prática social.
No dia 30 de agosto de 2011, fui até a Expointer para assistir a palestra da Denise Bicca sobre bem-estar animal e manejo com equinos - isto é o que considero como ‘relacionamentos’. Sabem o que é assistir a uma palestra sobre o assunto com quase duas horas e não perceber que o tempo passou? Pois é, assim foi a palestra da especialista. Intitulada por aqueles que utilizam seus saberes como ‘encantadora de cavalos’, a veterinária demonstrou através de vídeos-aula muito sobre relacionamento animais/homem (que consegui fazer, inclusive, um link para lidar com cães; tema que trabalho diariamente). Num resumo para o que vi e ouvi, destaco o comentário de Bicca quando frisou que muitas pessoas ao lidarem com equinos e tem problemas para controlar o animal, dizem que o ‘cavalo é burro’ ou ‘louco’, mas, para ela, o que ocorre é uma desconexão com o animal. Desconexão que acontece somente em resposta à ação ligada a desinformação seguida de agressão do homem. Ou seja, as pessoas ao não entenderem a linguagem do cavalo buscam através da força um comportamento desejado, favorecendo desvios de conduta animal.
Assim, o que acontece com animais ditos problemas é a má condução e entendimentos do homem para o manejo de animais. Ela cita como exemplo que é preciso conduzir os equinos tendo em mente que são animais que convivem em bandos e são ‘presas’ na cadeia alimentar e, portanto esses animais veem, a princípio, o homem como predador e não como um líder. E a liderança é uma condição que deve ser conquistada através do convívio com respeito e disciplina.
Entendo que é um novo entendimento ou (re) construção para a relação animal/homem, em especial no mundo equino, com o princípio da não-violência, que pode oferecer ao tratador e às pessoas que trabalham com tais animais, um convívio produtivo e prazeroso.
Acontece que ao ouvir as palavras da Denise, comecei a pensar nas tantas construções históricas (tidas como verdadeiras) de como um peão ‘gaudério’ deve tratar o cavalo, domá-lo, condizi-lo para dentro de um carroção, enfim, ações feitas através de muita agressão e violência. A palestra de Bicca veio a ratificar o que tenho lido e observado (no trabalho com cães) sobre as práticas no relacionamento homem/animal.
Talvez essa minha percepção se deu porque é um assunto que gosto. É um gosto que vem da infância, já que desde que me reconheço como Denise, codornas, coelhos, periquitos australianos, patos, canários, gatos e cães, faziam parte do meu cotidiano, influenciaram o meu crescimento e a formação de determinados valores. Valores que procurei repassar aos filhos: um construto social familiar na relação homem/animal.
Essas concepções foram se fortificando no decorrer da vida e a interação com animais aumentou. Já como mãe de 3 filhos e cães (especialmente Rottweilers, que se tornaram as grandes e confiáveis babás dos meus filhos) os cavalos se tornaram também presentes. Eles apareceram como participantes ativos na rotina de crescimento dos meus filhos Lucas, Paula e Roberta; carreguei-os na garupa do Lambari, do Maragato e da Paloma, que mais tarde vieram a cavalgar os animais sozinhos. Convivências que ensinaram aos pequenos, algumas noções de respeito pela vida, pelos animais, pelo próprio ser humano, em que a interação pode resultar na amizade sem qualquer necessidade de agressões.
Espero que na atualidade, com palestras como a da Denise Bicca (cavalos) ou Cesar Milan (cães), o ser humano comece a perceber e aprender que um relacionamento positivo e produtivo entre homem e animal começa pelo respeito, pela informação e pela não-violência.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Fotografias ensinam?
Acontece que, ao praticar um hobby particular, as fotografias, passei a entender que elas também são embalagens pedagógicas. Isso, porque, as fotografias buscam uma representação e provocam significados através da visão do (a) fotógrafo (a). Se observarmos com muita atenção uma fotografia, podemos perceber qual o ângulo daquilo que é fotografado, que há algo em primeiro e segundo plano, que a foto é tirada de cima para baixo ou vice-versa, que o segundo plano está desfocado, etc., focos do (a) fotógrafo (a) que buscam e ensejam representações de uma determinada coisa, fato ou situação para algo que é colocado como centro de atenção.
Ao pensar dessa maneira nas fotografias é possível perceber que uma das buscas de quem produz as imagens é colocar todos aqueles que as olham (“leem”) inseridos naquele lugar, naquela situação, a observar uma determinada coisa destacada (pelo fotógrafo (a)), e colocado em jogo como importante. Assim, ao compreender a produção fotográfica com tais perspectivas, é possível vê-las como táticas que pretendem representações e acabam por “ensinar” (através de suas múltiplas estratégias de foco já citadas anteriormente) algo para quem as observa.
Com tais abordagens, ao visualizar uma imagem, o que o ‘impacto visual’ me ensina, o que esta embalagem pedagógica (seja em jornais, revistas, na internet, na produção de moda, na produção profissional ou amadora) pretende me ensinar através do olhar do (a) fotógrafo (a)? O que eu procuro representar e “ensinar” ao compartilhar com os leitores a foto de uma “cimbídio” que acaba de florescer na minha casa? Ou com o pássaro que veio alimentar-se de bananas na cerca da minha casa?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Pedagogização pelas revistas?
Cresci com a percepção de que “é na escola que se aprende”. Ou seja, é a Pedagogia escolar o processo único e verdadeiro do aprendizado. Fiz jornalismo e novas percepções foram desencadeadas. Como mãe, sempre estive (e estou, bem menos que antes, é claro, já que só tenho mais uma filha adolescente) presente nas atividades e vivências escolares dos meus filhos. Contudo, mesmo com a clareza de que o “que se aprende na escola é importante”, o processo escolar parecia-me conturbado e conflituoso com a evolução da vida e das sociedades. Não pude evitar em traçar um paralelo da educação escolar com minha vida profissional de jornalista. Isso, porque, vi, escrevi e fotografei sobre fatos, assuntos e interesses nas cercanias vivenciadas, e percebi que aprendia coisas diversas a cada instante e, por conseguinte, ao repassar o que via, ensinava através de meus textos, imagens, manchetes etc.
Vi que aquilo que me rodeava estava a ensinar algo, estava a ‘pedagogizar’ maneiras, modos, culturas... jeitos de ser, pensar e estar no mundo. Vi que uma foto de revista institucional (aquelas que são produzidas por instituições e entidades sem valor de venda, fazendo uma ‘auto-propaganda’ de ideias e ações, e são encontradas na sala de espera das fábricas), por exemplo, me ensinava às maneiras de ser, ver, estar e trabalhar numa determinada instituição ou num setor social.
Com esse entendimento percebi as múltiplas formas de pedagogia, que o conteúdo de um jornal ou uma revista podia 'ensinar' e, que havia “trilhas” paralelas entre as capacitações recebidas na escola e as capacitações “exigidas” no mundo do trabalho. Na busca do entendimento dessas e de outras questões, ingressei no mestrado em Educação, outra área para além daquela da minha graduação, que se tornara fonte de curiosidade e, até, necessidade. Nesse Pós, vivenciei novas realidades, li uma infinidade de autores que não tinha lido até então, e passei a conviver com o entendimento de que o aprendizado vai além das classes escolares...nas revistas também.
É, no mínimo, intrigante pensar em pedagogização pelas revistas, mas não é um assunto novo. Steinberg e Kincheloe (2001), ao estudarem os processos implicados na construção das culturas infantis, cunharam o termo pedagogia cultural ao se referirem a outros lugares onde a educação poderia acontecer: bibliotecas, cinema, TV, esportes, livros, jornais, revistas etc. Com tal concepção, os autores possibilitaram a ampliação do conceito de pedagogia, e indicaram a importância da inclusão dos textos da mídia como campo de produção (e atuação) pedagógica. Silvio Gallo, no livro “Deleuze & a Educação” (2008), expressa que o “aprendizado não pode ser circunscrito nos limites de uma aula, da audição de uma conferência, da leitura de um livro; ele ultrapassa todas essas fronteiras, rasga os mapas e pode instaurar múltiplas possibilidades” (p.85).
Nesse sentido, então, as revistas (que assim como os jornais estão inseridas no conjunto de práticas da mídia) são mais do que meros objetos para 'passar o tempo'. Ou seja, elas se constituem em um meio pedagógico, pois transmitem saberes e conhecimentos que moldam o comportamento dos sujeitos. Prestem atenção nas imagens e textos de uma revista qualquer, onde é possível perceber que, a partir das representações produzidas e veiculadas são reforçadas ou contestadas algumas verdades acerca do mundo, dos modos de compreendê-lo, das maneiras de falar sobre ele, de nós mesmos e dos outros.
Assim, é possível que pensemos sobre as revistas para compreender os seus alcances, seus apelos, seus valores, suas compreensões, seus posicionamentos políticos, seus papéis sociais constitutivos etc. Esse processo acontece, inclusive, nas revistas institucionais. Ou seja, são expostos aos leitores da revista o que a instituição ou entidade pensa que a indústria, o comércio, o transporte etc. deve ser, quais os desejos e expectativas que a instituição/entidade tem para os profissionais ou pessoas envolvidas naquele determinado setor. E, ainda, que através da experiência da leitura nas revistas, os seres humanos também podem orientar os seus pensamentos e suas condutas, pois são ensinados e pedagogizados através das representações ali contidas para se posicionarem como sujeitos pertencentes à determinada situação social.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
A melhor mãe do mundo
A melhor mãe do mundo, todas querem ser, e todos querem ter. Há cerca de dois anos comprei um celular novo. O meu, até então, devido a um incontável número de quedas (sem intenção, é claro) rachou. Em uma das minhas idas a Porto Alegre fui ao shopping Moinhos. Lá parei numa lojinha, uma operadora de celulares, e comprei um aparelho novo. Um aparelho sem ‘frescuras’: nada de câmeras e demais acessórios, só o básico para falar e enviar torpedos (não sou muito cuidadosa com os aparelhos, então, nada de objetos muito caros).
Ao retornar para casa mostrei aos filhos a minha aquisição. Pedi para minha filha do meio, a Paula, passar para o parelho a foto da Cindy (nossa saudosa amiga canina) para ficar como ‘descanso de tela’. No outro dia, ao ligar o celular, vi a mensagem de abertura que a Paula escreveu: “A melhor mãe do mundo”.
Não soube bem o que pensar naquele momento. Na verdade, sempre persegui essa frase em meus pensamentos. Naquele momento, prontamente, no auge do meu ego e vaidade, pensei: é verdade que sempre me ‘puxei’ para fazer da minha maternidade algo de muito bom e construtivo com os seres humanos que me foram presenteados pela vida... Nossa!
Mas uma coisa é pensar, outra é ler aquela frase, muito direta, escrita pela minha filha. Isso mexeu consideravelmente comigo, e muitos dos questionamentos constantes, mas evasivos até então, afloraram: sou boa mãe? Mas e as tantas falhas? E as vezes que pensei acertar e errei. E as vezes que deveria estar presente e não estive (por um motivo ou outro). E as vezes.... Com três filhos, será que sempre consegui ser justa com eles (individualmente ou não) nos abraços, nos ditos “eu te amo”, nos pareceres, nas orientações, nas reprimendas?
Pensei na criação que tive com meus pais, nas orientações recebidas, nas vivências da maternidade até então... muitas sensações de situações vividas repovoaram minha mente como um turbilhão. Desde tal dia busco mais intensamente avaliar todos aqueles questionamentos. Desses e outros tantos, uma coisa consegui perceber: que tenho apenas uma verdade desde o nascimento dos meus filhos: sim, sou mãe, mas não sei se sou, já fui, ou existe ainda por vir em meu ser a melhor mãe do mundo... De certo entendo que estou sempre “à cata” de sê-la, mas confesso: como é difícil dia a dia essa busca! Sempre vai faltar algo, sempre vai ter ‘porém’, sempre haverá “SENÃO”... É muito complicado falar na ‘melhor mãe do mundo’!
Sei que, tanto agora como no primeiro dia que peguei um dos filhos no colo, uma particularidade como mãe me é constante: estar continuamente na missão de construir (na medida do possível), junto aos meus filhos, algumas noções para que sejam felizes e se transformem em pessoas equilibradas, que consigam meios positivos para se ‘desvencilharem’ ou superarem (sem prejudicar a si e aos outros física e moralmente, respeitando as diferenças), da melhor maneira, os problemas que surgem todos os dias, enfim...
Com a vida passei a acreditar que ser a melhor mãe do mundo, todas as mães são, na medida em que compreendam e aceitem que ser mãe também é ser uma mulher. Uma mulher que erra e acerta, que busca uma vida com bons acontecimentos, que busca a harmonia das convivências, que busca a realização de ver os filhos integrados e cientes das suas qualidades e defeitos para viver uma vida plena tanto profissional como afetiva.
A melhor mãe do mundo parece ser uma busca “natural” de uma construção cultural da vida das mulheres. E esse já é outro rumo a ser discutido na construção do gênero feminino!
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Moda, corpo e felicidade
Com tal pensamento, parece-me que a moda veste o corpo e a alma das pessoas. Então, pela moda também se busca a felicidade; a felicidade ou satisfação apreendida quando se veste o corpo com roupas e acessórios, numa sensação de liberdade da escolha e da (re)afirmação da independência estética. O corpo, nesse entendimento, se torna um objeto para a criação do nosso Eu e para aquilo que aspiramos. Ele (o corpo) se torna um significante daquilo que somos e que queremos ser.
O corpo, com a moda, passar a ser entendido por uma perspectiva de significante em meios as representações que vão interpelando e interagindo com cada um/a de modo a posicionar-nos a ocupar determinados lugares nas nossas vivências cotidianas. O corpo, nesse entendimento, se veste (é vestido) em meio a um jogo de representações e vai produzindo identidades, pois as representações ao produzirem determinados significados, estabelecem identidades sociais e define quem nós somos, como deveríamos ser e, quem são os outros. O corpo se insere, então, como um construto social, pois é nele que marcas e símbolos culturais são inscritos e funcionam como um modo de classificar, agrupar, qualificar e diferenciar: magro, alto, belo, jovem, branco, saudável, executivo, teen, etc.
Com a moda, corpo e alma vivem em sinergia na construção dos desejos e anseios de cada um de nós.
terça-feira, 12 de julho de 2011
A moda
Falar e escrever sobre moda é como falar um pouco de nós mesmos. Mesmo que não tenhamos o hábito para constantes trocas de “guarda-roupa”, motivadas pelas tendências da estação (até, porque, estar 100% na moda pode extrapolar nossas economias), um item, um acessório, uma composição para somar aos itens que já possuímos, ou mesmo, a necessidade de comparecer em uma festa ou evento social nos leva a procurar, estudar, analisar o que a moda está ditando para o momento.
Assim, é possível dizer que todos, em algum momento, em alguma situação pensam e vestem a moda. A moda parece, dessa forma, fazer parte da nossa construção como pessoas inseridas numa cultura, numa sociedade. A moda é um símbolo que nos coloca dentro de uma determinada cultura. Ela nos faz fazer parte de um conjunto de pessoas numa mesma “linguagem” de estilo para vestir o corpo. Ou seja, não penso na moda unicamente como um símbolo de beleza e bem-vestir, mas um meio de inserção, de comunicação de representação daquilo que sou, do que pretendo ser... A moda que visto diz muito do que sou; ela é um símbolo que traz um significado daquilo que sou (é claro que dizer o que significa algo é como dizer como a cor preta deveria, por regra, fazer as pessoas se sentirem, ou seja, a cor preta tem significados diferentes para cada um: para alguns é luto, outros é sofisticação. Assim, uma cor, por exemplo, tem significados diferentes em lugares diferentes).
A moda pode ser vista, em tais parâmetros, como uma instituição social. Segundo Lipovetsky (Império do Efêmero, 1989), a partir da década de 1960, a moda da Alta costura perde poder, dando lugar ao prêt-à-porter (produção industrial atrelada a produtos de boa qualidade, acompanhando as tendências) o que permitiu que vários segmentos de classe social tivessem acesso a moda. Processo que possibilitou ao ser humano expressar sua individualidade e personalidade por meio da roupa, como um estilo de vida, atitude e comportamento.
Mas, é preciso dizer que o caminho da moda também gerou e criou “necessidades e desejos” na sociedade. No entanto, acredito que mesmo que a moda tenha poder de criar o consumismo, ao mesmo tempo, ela permite ao ser humano constituir e/ou reforçar identidades e inserção social a partir do que ela oferece através de suas tendências.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Ter sucesso
A palavra ‘sucesso’ é um substantivo masculino utilizado há muito tempo para expressar um acontecimento/resultado feliz e positivo em qualquer feito, ação ou área das relações humanas. Entendo que ‘sucesso’ é o que todos nós desejamos para os filhos, amigos, parentes, negócios, atividades particulares ou profissionais.
E sucesso é fácil? O sucesso depende de quê? Como ter sucesso nos dias de hoje, em qualquer coisa que se faça, se somos constantemente submetidos a enfrentar superações e dificuldades deste mundo conturbado, competitivo e desorientado?
Algumas vozes sugerem na mídia e em alguns estudos acadêmicos que o sucesso depende ou está associado à urgência de uma educação para o empreendedorismo, com o estímulo ao desenvolvimento sustentável, como uma eventual saída para os desafios apresentados na atualidade, sejam eles na família, no trabalho, nas demais relações humanas. Mas, sustentabilidade? Por que preocupar-se com a sustentabilidade de ‘amanhã’, se hoje existem questões que ameaçam o nosso próprio sustento?
Empreendedorismo e sustentabilidade para ter sucesso? Vejamos que o conceito de “empreendedorismo” está presente na nossa história social e econômica recente (é o termo utilizado para especificar o indivíduo que apresenta uma forma inovadora de se dedicar ao que faz ou trabalha). O mesmo pode-se dizer sobre o termo “sustentabilidade”, usado oficialmente, pela primeira vez, na Assembléia Geral das Nações Unidas em 1979 (que, a princípio, visa suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas – ou seja, garantir recursos (água, alimento e energia) e bens sociais (saúde, educação, habitação) básico para todos os seres humanos). Em tais termos, empreendedorismo e sustentabilidade parecem dirigir-se a metas diferentes.
Mas, apresentar esses dois fenômenos como complementares para atingir o sucesso pode não ser uma equação complexa. Entendo, que essa combinação de empreendedorismo e sustentabilidade como diretrizes para o sucesso, podem se encaixar na medida em que tal parceria extrapole os limites de uma perspectiva econômica restrita à ideia de que ter sucesso é apenas crescer sem poluir. Isso, porque, além do termo empreendedorismo atualmente se ancorar na teoria do “capital humano” voltado para a produção de indivíduos que tenham como características a inovação, a criatividade, a invenção, a definição de sustentabilidade também deixa de ser somente usada como meio para preservação dos recursos naturais e da viabilização de um desenvolvimento que não agrida o meio ambiente.
Sob essa visão, o sucesso implica no equilíbrio do ser humano consigo mesmo e com o planeta, referindo-se ao sentido do que somos, de onde viemos e para onde vamos como seres humanos, na medida em que ao sermos empreendedores, também tenhamos a capacidade de agir para o bem comum. O sucesso, então, está imbricado de valores e princípios que criam condições de emancipação para pessoas, grupos, organizações e comunidades que permitam a todos se situar perante a realidade e atuar sobre ela de maneira solidária, produtiva, criativa e transformadora. Sucesso atual pode, assim, ser igual a soma do empreendedorismo e da sustentabilidade com criatividade, inovações e comprometimento.
sábado, 18 de junho de 2011
Cozinhar é (continua)...
Ser natureba é comprar o produto no seu modo mais rústico– ou, de preferência, colhido na horta -, lavar, picar, cozer (exceto ao que se refere aos farináceos e grãos. Não penso em plantar trigo e moê-lo, por exemplo)... Sim, ser adepto da cozinha natureba não é fácil!
É claro, confesso, não sou 100% cozinheira natureba no dia a dia: nem sempre sovo e abro uma massa, nem tampouco preparo o pão de cada dia, por exemplo. Também tenho meus dias de ‘lasanha pronta’ tirada da caixinha! Ser 100% natureba requer tempo, muito tempo,
coisa que só eventualmente tenho. Então, na maioria dos dias, sou somente 50% de uma cozinheira nesses moldes! Mas, nos finais de semana uso e abuso 100% das experiências da/na cozinha.
Um exemplo que acredito ser fiel na modalidade natureba de cozinhar é o Jamie Oliver (quem ainda não assistiu a um programa dele - ou leu um de seus livros - precisa assistir para entender a maneira de cozinhar que falo). É eu sei, ele tem tempo destinado só para isso; ganha dinheiro assim. Mas não dá para negar que dá gosto vê-lo cozinhar. Ele nos dá a sensação de que também somos capazes de fazer com sucesso o que ele faz. Ele é diferente dos demais ‘chefs’ que vemos por aí na mídia ou em renomados restaurantes. Mesmo que ele sempre busque dar uma apresentação final ‘bonita’ nos pratos que prepara, ele não tem aquelas minúcias (e adereços) que nos fazem desistir de cozinhar ou preparar uma receita.
Com certeza, aderir para a cozinha natureba é difícil: comprar pronto é mais fácil e, não dá para negar que, culturalmente, a comida orgânica ou natureba tem sinônimo de coisa difícil de fazer e ruim de comer! É por isso que para ser cozinheira natureba (ou ter estímulo para continuar sendo) há a necessidade de “cobaias” para experimentar as invenções e readaptações re
alizadas na produção de um alimento. Alguém que se disponha a experimentar, provar, questionar, sugerir e, até, elogiar. Uma “cobaia” é imprescindível! Até algum tempo atrás, além da minha filha do meio, a Paulinha, que é minha provadora oficial quando está por casa, tinha, ainda, uma fiel amiga e provadora do que eu produzia: Elisângela Piccolli de Bastiani (agora mora na Capital). Toda e qualquer receita que preparava, independente das diferentes misturas, ervas e grãos, era só avisar que ela, com aquele lindo sorriso, estava pronta para provar e dar um parecer. Saudades que tenho dela! Atualmente estou recebendo novas adeptas: algumas colegas da minha filha mais nova, Roberta. Por coincidência, uma dessas amigas se chama Paula.
Bom, como é final de semana, criei uma bolachinha bem natureba e muito, muito fácil de fazer (lógico, é preciso ter os ingredientes! Mas vale fazer adaptações.):
Numa tigela misture ½ xícara de farinha integral, ½ xícara de farinha de linhaça, ½ xícara de aveia em flocos, ½ xícara de extrato de soja, ¼ xícara de açúcar mascavo, ¼ xícara de mel; 1 colher de sobremesa de canela em pó; ½ colher de sobremesa de raspas de casca de laranja ou limão, 1 colher de sopa de fermento em pó, 4 colheres de azeite de oliva extra-virgem, suco de 1 laranja ou ½ xícara de água, 1 colher de essência de baunilha.
Misture tudo inicialmente com uma colher, depois com as mãos. Espalhe a mistura em uma
forma (não é preciso untar) com as mãos umedecidas na água. Depois, passe uma faca no sentido horizontal e vertical para dividir previamente as bolachinhas (esse processo deve ser repetido, seguindo as guias previamente marcadas, após as bolachinhas terem assado e estarem f
rias. Caso prefira o formato redondo, pode-se fazer bolinhas com a massa crua e achatar com o dedo ao dispor na forma). Coloque no formo em temperatura baixa por 40 minutos (depende do forno) ou até que as bolachinhas estejam sequinhas.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Cozinhar é...
DIFÍCIL
Com o final do mestrado(*) tenho me sentido mais leve para escrever e ler sobre os mais variados assuntos. Sim, no mestrado a leitura é mais dirigida, e a escrita é bem diferente, bastante, muito exigente!
Mas, apesar da “liberação” dos temas para a leitura e uma inquietante sensação parecida com “necessidade de ler de tudo”, tem assuntos que mais me interessam: aqueles que envolvem a educação, os filhos (e cães) e a saúde (e tudo o que a envolve). Os temas da saúde me acompanham desde bem jovem (sonhava em fazer medicina - um segundo plano seria a veterinária. Por um motivo ou outro não aconteceu, e até hoje parece que esse “capítulo” da vida me faz falta). Esse foi o motivo para eu fazer nutrição e dietética no EM. O estágio no Hospital de Caridade de Taquara foi uma época de muitas alegrias. Adorava ir lá! Lembro, também, das aulas práticas daquele período; sempre era um prazer, nunca um dever!
A partir dessa etapa - e em meio a ela –, comecei a ler mais atentamente as receitas culinárias. Minha mãe tinha (acho que ainda tem) um livro chamado “Comida gostosa”, não lembro o autor. Ele me foi útil nas pesquisas para os trabalhos de aula daquela época, pois, além do grande número de receitas, também continha dados nutricionais dos alimentos – coisas importantes nas disciplinas estudadas.
Mas, desde aquela época, um item presente em cada receita chamava (e chama) a atenção: a inscrição do “grau de dificuldade” para o preparo das receitas (é comum alguns livros, revistas ou sites apresentam tal consideração junto às receitas). Mesmo com a inscrição de “receita FÁCIL”, eu não as considerava (nem considero) dignas de serem intituladas de receitas fáceis. Isso, pois, para mim, o “fácil” está sempre amparado, em certa medida, na disponibilidade de tempo para fazer a receita, em ter a mão todos os ingredientes (ou dispor de dinheiro e lugar para comprá-los: Não se encontra em qualquer lugar a essência de panetone ou a massa folhada para tortas ou o creme de leite fresco etc.), em dispor dos equipamentos culinários necessários (não estou me referindo a panelas e outras coisas comuns, mas “aquele ralador fino para o alho” ou “aquela faca de descascar batatas” ou aquele multiprocessador que pica de modo Y ou aquelas forminhas de quindim, em ter um forno que assa por igual, enfim...), em não ter outra atividade de mesmo grau de importância para fazer naquele momento, em estar sozinha na cozinha ou, ao menos, somente acompanhada de alguém que esteja envolvido da mesma maneira na confecção da receita...
São vários os itens que podem fazer da receita “fácil” um tormento, um momento estressante, um desestímulo para praticar a arte de cozinhar. Ou seja, nem sempre o que é verdade para quem escreveu a receita, é uma verdade para quem vai fazê-la – nem vou entrar na questão do resultado final: por que a minha elaboração da receita não resultou em igualdade visual da receita da foto?
O mesmo acontece com as ditas receitas “simples” para reaproveitar as “sobras”, criando uma “cara” nova com o alimento de ontem... a história pode não ser nada simples. O fato é que, além de gostar de cozinhar, é preciso um grande conjunto de coisas e envolvimentos para por à mesa uma refeição que seja saborosa para quem come e prazerosa para quem a faz.
Sim, eu gosto de cozinhar! Mesmo quando tinha os filhos pequenos, às vezes dois ao mesmo tempo “grudados” nas pernas e com o relógio insistindo em acelerar o seu tempo para a hora do almoço ou do jantar, eu sempre adorei cozinhar! Claro, nem sempre foi fácil, nem sempre tive à mão os produtos que queria, nem o sossego para “criar” algo especial. Mas, talvez, os fatos e circunstâncias pelas quais passei me serviram de refinamento e entendimento para o que hoje me considero: uma cozinheira prática (utilizar o que tenho em casa, fazendo adaptações) de estilo “natureba”. Ou melhor, produzir refeições ou pratos pouco complicados e ditos saudáveis para os filhos, para a família. A minha verdade é que adoro inventar pratos que envolvam a utilização de produtos naturais, chás e temperos, seja com pratos novos ou aproveitando sobras de alimentos. Isso, sem falar, se tenho a possibilidade de utilizar na preparação de um prato, algo que eu mesma tenha plantado e colhido! O gosto, com certeza, é outro!
E, caso o (a) leitor (a) tenha interesse em aderir às minhas receitas, segue uma com “sobras” de pinhão. Nesta época de inverno, no Rio Grande do Sul, o pinhão (que é a semente da Araucária angustifólia; sua polpa comestível – assada ou cozida - é basicamente formada de amido) é bastante consumido e, como qualquer alimento, muitas vezes sobra pequenas quantidades cozidas. Por ter o gosto alterado um dia após o cozimento, geralmente os pinhões não consumidos são colocados fora. É com eles que preparo um bolo:
Bata no liquidificador:
4 ovos
1 copo de leite
2 colheres de óleo de canola (ou outro; pode ser utilizada a margarina ou a manteiga)
Pinhões “amanhecidos” descascados
½ xícara de açúcar mascavo
½ xícara de açúcar cristal (pode ser o refinado. Caso não tenha em casa o açúcar mascavo, coloque 1 xícara de açúcar cristal ou refinado)
2 colheres de sopa de extrato de soja (opcional. Utilizo esse ingrediente por conter isoflavona)
Depois de liquidificar, coloque o líquido em uma tigela, acrescente farinha e bata vigorosamente até obter uma consistência de creme grosso. Junte, finalmente, 2 colheres de fermento em pó (para bolo). Coloque em uma forma untada e enfarinhada (pode, também, untar e espalhar açúcar levemente. O bolo não gruda e sai caramelado).
Asse em forno médio (dependendo do forno, por 40 minutos) até dourar.
É, cozinhar é difícil, mas pode oferecer satisfação e refeições saudáveis para toda a família.
(*) O meu trabalho de mestrado, resumidamente, refere-se a demonstrar que revistas institucionais (aquelas que são produzidas por instituições ou entidades e distribuídas aos associados ou sócios) têm funções pedagógicas. Nessa concepção, a revista institucional funciona como uma pedagogia cultural, como um mecanismo de representação, ao mesmo tempo em que opera como constituidora de identidades culturais. Caso o leitor deseje mais algum dado, entre em contato.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
um lembrete
Ontem o Paulo fez 53 anos. Parece que foi há pouco tempo que namorávamos.Como não havia internet nem celular na época, nos víamos muito, conversávamos por longos períodos pelo telefone fixo. Parece que estávamos mais "conectados".
O tempo passa, muitas prioridades "extras" surgem...a conexão tem interferências...
Ontem fui com ele, ou melhor, ele foi comigo (já que eu é que dirigi) até Canoas. Fomos buscar o presente dele. o trajeto foi umas das atuais e raras oportunidades de conversar sem interferências (ou quase. o celular dele tocou algumas vezes para felicitações de amigos). Realmente, com o passar dos anos o tempo fica escasso, raro, inclusive, para uma "conexão" com conversas corriqueiramente importantes!
Um lembrete: não esqueçam de conversar! Busquem a "conexão". Faz bem para a alma e para o coração!
quarta-feira, 9 de março de 2011
Fazer 16
Quando completamos mais um ano de vida? Quando algum parente festeja a data? Parece que fazer aniversário está em nossa vida como "uma segunda pele", mas só o percebemos em razão de determinadas lembranças, festividades, ou, até mesmo, ao olhar fotografias ou visualisarmos a nossa imagem no espelho - quantas rugas, quantos fios de cabelo grisalhos.
Fazer aniversário só se torna "visível" quando o percebemos próximo, porque a prática de fazer aniversário se tornou naturalizada, é comum, todo mundo faz... aniversário só se torna "visível" quando refletimos sobre ele.... seja ele em que fase da vida.
Fazer 16 anos (como minha filha Roberta, que completa neste dia 09/03) hoje, com certeza é uma crescente cronológica como há qualquer momento na história da humanidade, mas é uma vivência diferente, bastante diferente, por exemplo, deste mesmo momento há 30 anos atrás. 16 anos é ser adolescente em qualquer época, certo. Mas hoje existe uma evolução que vai além daquela designação "de idade difícil". 16 anos hoje é correr para o msn ao voltar da escola, quando há 30 anos atrás se corria para fazer as atividades domésticas,os temas, para ter mais tempo para uma 'voltinha no centro da cidade'. Com 16 anos hoje, a preocupação é estar ligado no que o mundo virtual oferece, quando há 30 anos atrás a preocupação era o passeio para a 'paquera'. com 16 anos hoje, se pensa num intercâmbio para fazer, quando há 30 anos atrás se pensava em que ia trabalhar...
Fazer 16 hoje é diferente do que há 30 anos atrás. Contudo, fazer 16, 30, 50, 90 anos hoje, continua sendo uma dádiva pela vida. Saúde, felicidade e paz para todos os aniversariantes! Busquem tornar "visível" os aniversários para além de uma festa, mas, também, como um período de reflexão e autoconhecimento.
terça-feira, 1 de março de 2011
Sexo feminino
Ser mulher é parcialmente aquilo que os poetas dizem. Entendo que as doces palavras dos poemas são uma maneira de criar, de reavivar em todos os leitores, que está no sexo feminino a esperança para um mundo menos violento, menos drogado, menos mentiroso e inescrupuloso. Um mundo menos doente, menos poluído, menos órfão...
São as palavras dos poemas que parecem implorar para que alguém se encarregue de conduzir a sociedade - feita de filhos - para um caminho amigo, sincero, alegre, companheiro.
São as doces palavras de poemas que parecem buscar, neste ser chamado de mulher, a “maternidade” para as boas ações, para os bons propósitos, para as boas condutas de todos.
São pelas doces palavras de poemas que se parece inferir à mulher a missão de ensinar ao mundo os significados de segurança, amor, dedicação, família, tolerância... que, talvez, o sexo masculino não saiba como criar.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Canoagem
Contatos podem ser realizados pelo e-mail emilio@q-sonho.com.br
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
A marca de cada um
Pensar em marca pessoal é partir para a criação de um conceito, uma fama individual, seja para conseguir trabalho, seja para alavancar a carreira que já se conquistou. Assim como num calçado, por exemplo, onde a meta paira em construir um diferencial que alia o custo/benefício com inovação, tecnologia e apelo imagético, também, as pessoas precisam criar meios para implantar um diferencial, um reconhecimento, produzir visibilidade para o que sabe fazer ou faz de melhor e, consequentemente, atingir objetivos pessoais e profissionais.
Atualmente, com tantas ferramentas facilitadoras pela internet, produzir visibilidade e divulgar o “eu” não é difícil: o twitter, o facebook, os blogs, enfim, possibilitam esse processo. Contudo, tal exposição deve estar aliada em enfatizar o diferencial pessoal: o domínio de algum conhecimento específico, de uma maneira de gestão para tarefas, de uma especificidade singular que pode alavancar relevância na produção de algo, de um serviço, do desempenho de uma tarefa, enfim. A exposição deve apresentar uma característica, um design próprio ou um sinal para fazer, agir, falar, escrever que pode fazer diferença no mercado de trabalho. Então, qual é a sua marca? O que você está fazendo para criar a sua marca?
domingo, 20 de fevereiro de 2011
+ de 40 anos
Mas quem tem mais de 40 anos precisa ser um “expert” em estratégias para continuar sendo referência no que faz (inclusive a dona de casa) frente às transformações da atualidade: infância sem TV colorida (talvez nem tenha tido uma TV), sem celular (talvez sequer tinha telefone fixo), sem computador, sem iPad... Tampouco ouviu na infância que era época de “off” nas lojas de shopping, ou que alguém possuía “fitness” em casa... quem tem mais de 40 precisa ser um ótimo estrategista, porque sem a vantagem que os jovens e crianças de hoje têm, de crescer em meio a tantas “ferramentas” especializadas, precisa aprender estrangeirismos, precisa aprender a comunicar-se online, precisa aprender o “digital”, precisa aprender a aprender continuamente para reorganizar suas estratégias: do fogão às compras, por exemplo, a estratégia de vida envolve o digital, a rapidez, o domínio de conteúdos específicos e um mínimo de tecnologia.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Formatura Laureada

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
2011
"Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia...e isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura...enquanto durar".
Então, viva cada momento, trabalhe no que te faz feliz... cultive a vida em família, que nada mais é do que abraçar, escutar, apoiar, sorrir e brincar... uma troca sem qualquer custo com retorno em um benefício incontável.
Feliz 2011.


