quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Empresas + revistas=

Revistas institucionais! As revistas institucionais parecem estar inclusas entre os itens com custo/benefício empresarial positivo (se fosse o contrário, não teríamos tantas revistas deste gênero circulando entre empresas e entidades e seus sócios/clientes). É possível perceber que elas são o meio de comunicação responsável por disseminar novos conhecimentos, estabelecer relações, realizar análises e educar leitores num determinado setor social, onde o estabelecimento de certa identificação pode ocorrer de forma mais intensa, já que quem edita a revista (instituição/entidade) dirige-se para um público específico e com interesses possivelmente congruentes.

Com tal ideia entendo o caráter pedagógico exercido pelos textos veiculados por essas revistas, pois o leitor (ou mesmo os ‘meros folheadores de páginas’) ao estar em contato com os textos, as fotos e as cores de artigos, crônicas e notícias, esta entregue a uma prática cultural agradável que acaba por seduzi-lo e levá-lo a se identificar com certas opiniões, disposições e posicionamentos (e atentem: isso se torna o caráter de custo/benefício positivo da revista para uma empresa).

Sim, neste primeiro texto de uma série que irei publicar, o que pretendo é despertar para a pedagogização das revistas institucionais (que entendo como o link que coloca a revista institucional na relação custo/benefício positivo das empresas e entidades), que, através das múltiplas formas utilizadas para capturar seus públicos, de algum modo procuram modelar e produzir determinados tipos de trabalhadores ou maneiras de trabalhar e estar em determinado setor social.

Vejamos que os textos, as fotos, as legendas, as chamadas, os anúncios publicitários inevitavelmente lidos, vistos pelos leitores “institucionais”, permitem que pensemos sobre tais revistas para compreender os seus alcances, seus apelos, seus valores, suas compreensões, seus posicionamentos políticos, seus papéis sociais constitutivos etc (e sua positividade da relação custo/benefício). Ou seja, são expostos aos leitores da revista o que a instituição ou entidade pensa que a indústria, os serviços, o comércio, o transporte etc. deve ser, quais os desejos e expectativas que a instituição/entidade tem para os profissionais ou pessoas envolvidas naquele determinado setor. E, ainda, que através da experiência da leitura nas revistas institucionais os seres humanos também podem orientar os seus pensamentos e suas condutas, pois são ensinados e pedagogizados através das representações ali contidas para se posicionarem como sujeitos pertencentes à determinada situação social.

Assim, refletir sobre o processo de estabelecimento e circulação de representações do que envolve a indústria, o comércio, bens e serviços nas produções textuais de uma revista institucional me permite pensar nos significados que são produzidos oportunizando a possibilidade para respostas como: Quem é um industriário, um comerciário, um profissional liberal? Como a indústria, o comércio, os bens e serviços são trabalhados e quais suas expectativas atuais? O que é importante para essas entidades? O que é verdade para a indústria, o comércio, os bens e serviços em geral?

Ainda, com tais pensamentos sobre as revistas institucionais, também passo a pensar que quem tem o poder de contar, relatar e construir como deve ser e estar o outro é quem estabelece as representações, ou seja, é quem institui o que pode e o que não pode ser considerado verdadeiro e praticável para aqueles pertencentes ou ligados a uma entidade ou instituição. Isso representa dizer que quem estabelece o verdadeiro e praticável em determinado setor realiza uma pedagogização.

Nesses termos, convoco a refletir nas revistas institucionais funcionando como uma pedagogia cultural, um mecanismo de representação, onde os textos (incluído aqui os pictóricos) veiculados produzem um conhecimento e fazem circular significados sobre diversos assuntos, como o trabalho, a educação, os transportes, o comércio, por exemplo. E, ainda, tais textos também são espaços que naturalizam verdades sobre a formação de habilidades e competências para se estar no mundo do trabalho, da educação, do comércio, etc.

Entendo assim, que o apontado até o momento é o que agrega a uma revista institucional o valor de custo/benefício positivo. Isso, porque, as representações veiculadas nos textos de uma revista estão carregadas de preceitos e, dessa forma, permitem compreender como, em uma revista institucional – especializada em determinado setor como o industrial, o comercial, o de logística etc. –, ocorrem processos de instituição de identidades através de determinadas representações e estratégias que ensinam como ser um trabalhador da indústria ou um comerciário, por exemplo, e promover o desenvolvimento pessoal e coletivo naquele setor social, o que se torna um investimento para a instituição/entidade.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Relacionamento animal

Uma “das segundas” coisas que mais gosto de falar, ler e escrever é sobre animais, sobre a convivência deles com os seres humanos. E parece-me que pelas leituras e estudos dos dois últimos anos, a partir do encontro com os Estudos Culturais (que colocam a cultura no centro das discussões contemporâneas, entendendo-a como sendo responsável pela própria produção e ordenamento da vida social), por mais incrível que possa parecer, oportunizaram-me ampliar a visão sobre as práticas do ‘relacionamento’ com os animais, ou seja, ver tal relacionamento como uma construção social. Isso, porque, passei a entender a hierarquia histórica dono/animal (agressão, violência, etc.) até a relação atual proprietário/pet (humanização dos animais) como um processo que foi sendo construído e praticado como prática social.

No dia 30 de agosto de 2011, fui até a Expointer para assistir a palestra da Denise Bicca sobre bem-estar animal e manejo com equinos - isto é o que considero como ‘relacionamentos’. Sabem o que é assistir a uma palestra sobre o assunto com quase duas horas e não perceber que o tempo passou? Pois é, assim foi a palestra da especialista. Intitulada por aqueles que utilizam seus saberes como ‘encantadora de cavalos’, a veterinária demonstrou através de vídeos-aula muito sobre relacionamento animais/homem (que consegui fazer, inclusive, um link para lidar com cães; tema que trabalho diariamente). Num resumo para o que vi e ouvi, destaco o comentário de Bicca quando frisou que muitas pessoas ao lidarem com equinos e tem problemas para controlar o animal, dizem que o ‘cavalo é burro’ ou ‘louco’, mas, para ela, o que ocorre é uma desconexão com o animal. Desconexão que acontece somente em resposta à ação ligada a desinformação seguida de agressão do homem. Ou seja, as pessoas ao não entenderem a linguagem do cavalo buscam através da força um comportamento desejado, favorecendo desvios de conduta animal.

Assim, o que acontece com animais ditos problemas é a má condução e entendimentos do homem para o manejo de animais. Ela cita como exemplo que é preciso conduzir os equinos tendo em mente que são animais que convivem em bandos e são ‘presas’ na cadeia alimentar e, portanto esses animais veem, a princípio, o homem como predador e não como um líder. E a liderança é uma condição que deve ser conquistada através do convívio com respeito e disciplina.

Entendo que é um novo entendimento ou (re) construção para a relação animal/homem, em especial no mundo equino, com o princípio da não-violência, que pode oferecer ao tratador e às pessoas que trabalham com tais animais, um convívio produtivo e prazeroso.

Acontece que ao ouvir as palavras da Denise, comecei a pensar nas tantas construções históricas (tidas como verdadeiras) de como um peão ‘gaudério’ deve tratar o cavalo, domá-lo, condizi-lo para dentro de um carroção, enfim, ações feitas através de muita agressão e violência. A palestra de Bicca veio a ratificar o que tenho lido e observado (no trabalho com cães) sobre as práticas no relacionamento homem/animal.

Talvez essa minha percepção se deu porque é um assunto que gosto. É um gosto que vem da infância, já que desde que me reconheço como Denise, codornas, coelhos, periquitos australianos, patos, canários, gatos e cães, faziam parte do meu cotidiano, influenciaram o meu crescimento e a formação de determinados valores. Valores que procurei repassar aos filhos: um construto social familiar na relação homem/animal.

Essas concepções foram se fortificando no decorrer da vida e a interação com animais aumentou. Já como mãe de 3 filhos e cães (especialmente Rottweilers, que se tornaram as grandes e confiáveis babás dos meus filhos) os cavalos se tornaram também presentes. Eles apareceram como participantes ativos na rotina de crescimento dos meus filhos Lucas, Paula e Roberta; carreguei-os na garupa do Lambari, do Maragato e da Paloma, que mais tarde vieram a cavalgar os animais sozinhos. Convivências que ensinaram aos pequenos, algumas noções de respeito pela vida, pelos animais, pelo próprio ser humano, em que a interação pode resultar na amizade sem qualquer necessidade de agressões.

Espero que na atualidade, com palestras como a da Denise Bicca (cavalos) ou Cesar Milan (cães), o ser humano comece a perceber e aprender que um relacionamento positivo e produtivo entre homem e animal começa pelo respeito, pela informação e pela não-violência.