quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Histórias para contar


O assunto que hoje nos move é a crise econômica. Crise com sinônimo de incertezas, aflição com o amanhã e uma necessidade iminente de prevenção, cautela, poupança! Contudo velhas máximas dizem que “a crise é uma momento de oportunidades”, ou seja, “em época de crise, uns choram, outros aproveitam e vendem lenços”. Ao pesquisar vi que a palavra ‘crise’ em chinês significa perigo e oportunidade. Mas, diante das recentes notícias de que a China desvaloriza sua moeda (Yuan) em 1,9%, após a divulgação de dados que mostram a economia em desaceleração, não sei se a situação na China retrata o significado da palavra.... Parece que o mais espontâneo a falar do futuro mundial é: “sei que nada sei” (Sócrates).
Basta uma breve conversa empresarial, na fila de um supermercado, em um chimarrão com amigos para ouvir que a crise está instaurada no cotidiano de todos. De uma maneira ou de outra, com linguajar técnico ou coloquial, todos estão incertos, reclamam da situação geral, e com o tempo da conversa, buscam um desvio que poderia levar a um novo crescimento, ou no mínimo, um congelamento da crise. E, a palavra mais falada é ‘economizar’.
No mundo dos negócios, empresários, investidores e comerciantes buscam a solução em profissionais gabaritados (do balconista/vendedor/atendente ao operário/colaborador/auxiliar/gerente/chefe de setor, até ao profissional liberal, da saúde, de marketing, agências e comunicadores...) que estejam atentos às transformações econômicas, com desenvoltura, criatividade, que saibam definir estratégias, que busquem oportunidades e as façam crescer. Parece ser provincial frente à crise.
Ao mesmo tempo, vejo outro nicho fora dos holofotes que tem importância econômica crescente: gestor(a) do lar: é na casa da gente que a economia começa. É preciso criatividade, desenvoltura, adequação tecnológica, iniciativa da melhor resolução de problemas... surge a necessidade de ousadia e pessoas prontas para novos desafios para pequenas soluções; onde antes se ouvia “não sei fazer; só faço isso, não aquilo..”, vejo pessoas buscando aprender o reaproveitamento, aprender pequenos consertos, aprender a customizar. Não empacam, são instigados a melhorar, a crescer, a superar desafios, a se tornarem melhores naquilo que podem e se propõe a fazer. Buscam economizar. Não deixam passar as pequenas (porém grandiosas) oportunidades. Uma nova classe se forma buscando superar os desafios domésticos frente à crise. Vejo isso pelo meu próprio exemplo... me vejo querendo aprender a fazer o que já imaginava saber e o que não supunha vir um dia a fazer. Vejo que é tempo de deixar de lado velhos conceitos para aderir a um mundo mais arrojado, abrangente, mais competente e polivalente.

Então, mesmo que seja indiscutível ser a crise um momento que faz chorar e dá sensação de insegurança, a busca pelo desvio se torna uma arma para que mudemos atitudes, para que aprendamos mais, para que transformemos conceitos, mas sem perder a ética, a postura e o prazer de fazer a coisa certa. Eu vou vender lenços? Acho que não, mas vou fazer a diferença ao meu alcance desenvolvendo minhas possibilidades e especificidades. E você?

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Nos dias de hoje, a sexta-feira Santa, feriado cristão que antecede a Páscoa, os rituais da refeição demonstram a expressão de  sentimentos tanto do sacrifício de Cristo, como de solidariedade para o mundo e às pessoas que passam fome. Assim, um dia para reflexões... e comer peixe como uma forma de abstinência...
Para a gastronomia funcional, um dia também, para alimentos mais leves e saudáveis, em que a carne vermelha cede lugar para a carne de peixe.
Hoje em dia temos uma variedade enorme de peixes nos supermercados e lojas especializadas que buscam oferecer satisfação para os mais variados paladares. Minha indicação para essa data tão especial é o Alabote. Esse peixe é encontrado nos Oceanos Atlântico e Pacífico. É um peixe de crescimento lento e pode atingir até 70 quilos, por isso, sua pesca é permitida apenas nos meses de verão, mas pode ser encontrado congelado em qualquer mercado. Ele tem uma carne magra com fina textura, muito branca, sabor delicado e alto valor nutritivo, sendo uma boa opção para qualquer refeição.
Grelhado ou assado essa opção de peixe apresenta, a cada 100 gramas, aproximadamente 150 calorias. Também, por volta de 53,07 mcg de selênio; 0,34 g de triptofano; 8,08 mg de vitamina B3; 323,19 mg de fósforo; 121,34 mg de magnésio; 0,62 g de ômega 3; 1,55 mcg de vitamina B12; 0,45 mg de Vitamina  B6 e 653, 18 mg de potássio.
Leia a composição nutricional da embalagem do peixe. Muitas opções são de valor acessível e muito nutritivas.
Abençoada Páscoa

sexta-feira, 27 de março de 2015

Gastronomia funcional

A gastronomia funcional ingressou nos meus estudos há pouco tempo. Ela compõe uma nova proposta alimentar, isto é, uma releitura gastronômica. É um processo em que existe a preocupação nutricional a partir do conhecimento científico, da composição dos alimentos (com micro, macronutientes e substâncias bioativas), do cuidado com as técnicas de preparo, utensílios e materiais utilizados no preparo dos alimentos e, os aspectos culturais associados ao ato de se alimentar. Ou seja, uma sinergia da arte de cozinhar, do prazer de comer e da transformação das preparações levando em conta o ponto de vista nutricional. Parece-me, de certo modo, que é voltar aos ditos da Idade Média quando se comia para viver ao invés de viver para comer.
Bom, iniciei o curso por vários motivos: porque gosto de estudar, tenho curiosidade sobre as coisas e, entendo que a culinária (que é uma parte da gastronomia), antes de ser a arte de cozinhar, é uma forma de carinho, de preocupação e de demonstração de amor. Digo isso por conta de que, quando estou dedicada a tal atividade, me percebo, a cada prato que faço e (re)invento, pensando tanto nos ingredientes e suas agregações, como nas pessoas para as quais eu cozinho...será que vão gostar, se o resultado os fará feliz, se fará bem para a sua saúde....enfim.
Mas, preciso confessar que iniciei o curso não esperando grandes novidades agregadoras ao meu ‘conteúdo’ culinário. Sempre pensei que sabia muito de cozinha, porque há anos me dedico a experiências, pesquisa e a conhecer novas receitas.... E, na realidade, percebi mais uma vez que a gente sempre aprende coisas novas quando resolve se dedicar a estudos, mesmo daqueles assuntos que acreditamos ter uma base valorosa.
Depois da primeira página, não consegui parar tão facilmente de ler o que as apostilas me ‘contavam’. Comecei a ver que não reparava com clareza na grandeza da culinária como uma inegável expressão da condição humana, desde a pré-história até os dias de hoje. Parei para imaginar um punhado de grãos nas mãos e visualizar (tentar) o poder que tais grãos tiveram e tem para a vida e, o que representaram na evolução dos homens até os dias de hoje.... Li e percebi o trigo e suas utilizações como a base da vida...
Esquisito...surpeendente...poderoso!
Por isso, nesse texto de hoje, o novo conceito de gastronomia faz uma breve viagem da relação do homem e do trigo: o homem com o pão e a cerveja. Uma evolução com ganhos e perdas.
A História conta a descoberta do fogo, a feitura de mingaus com o trigo, o acaso da fermentação do mingau aquecido no fogo....a criação da cerveja, uma bebida de idade tão velha como o pão. Não há dados precisos de quem veio primeiro: o pão ou a cerveja. Tanto um como o outro parecem ter surgido na mesma época. Sabe-se, contudo, com certeza, que quem controlava os grãos era quem detinha o poder. Isso é fácil imaginar!!!
Relatam os livros muitas histórias sobre a cerveja e o pão e, como eles foram, em certa medida, transformando e formando as sociedades. No Egito antigo, grandes cervejarias produziam tal líquido/alimento confiável (já que a água dos riachos era incerta), que servia também como pagamento aos construtores das pirâmides. A cerveja era uma moeda importante! Já, para o Império Romano, o trigo tinha no pão o seu símbolo de alimento preferido para acompanhar o mel e as frutas. Pão e cerveja eram alimentos determinantes.
A Idade Média foi caracterizada pela grande diversidade alimentar e, há relatos interessantes da divisão de claro e escuro da cerveja e do pão, que demonstraram ser um dos tantos catalisadores da ratificação de classes sociais. Na época, começaram a peneirar a farinha (deixando de aproveitar fibras e germe do trigo; uma perda nutricional) e descobriram que podiam produzir um pão mais branco e fofo, que acabou por ser alimento destinado aos ricos; já o pão com trigo sem tal processo e resultando num produto escuro e com fibras era para camponeses e trabalhadores (mais rico em nutrientes). O mesmo aconteceu com a cerveja, quando começaram a secar os grãos e conseguiram produzir uma cerveja mais dourada, que começou a abastecer preferencialmente as classes mais abastadas, que deixaram de consumir a cerveja mais escura e a destinaram como bebida das camadas sociais menos favorecidas.
No começo do Século XX a cerveja deixa de ser considerada nutritiva para ser denominada de saudável e, a publicidade e a produção industrial reduzem o sabor e aprimoram a coloração. O pão passa a ser amplamente produzido de maneira industrial cada vez mais fofo e branco e menos nutritivo.

Parece que beber cerveja e comer pão também é viver a história da humanidade. São partes de rituais que foram se modificando e nos modificando há mais de dois mil anos, em que a comida é símbolo de vida, nutrição, morte e poder. 

domingo, 1 de março de 2015

O que há do outro lado do mundo?

Para mim, do outro lado do mundo há uma grande saudade... Que com a oportunidade, passou a ser uma necessidade! Até lá visualizava uma distância em horas...não imaginava o que representaria esse tempo dentro de aviões e aeroportos... Chique? Não, cansativo....mas tudo é, acredite, acalentado pelo propósito de tornar as lembranças da pessoa querida, uma presença de contato!!

Mas lá do outro lado do mundo encontrei coisas que não imaginava...cotidianos muito diferentes, e da língua, nem se fala. Vi um lindo zoo, bonito e grande! Com acomodações diferenciadas para os animais. Os percebi, na maioria, não parecerem tristes, mas sim, curiosos ou descansados. Realmente alheios da procissão formada pelas pessoas. Exceto os elefantes, eu diria que estavam estressados. As suas acomodações fechadas eram pequenas e o número deles era grande. Creio que o frio não os ‘deixou’ ir para a rua.



Havia ali, no zoo de Pequim, inúmeras pessoas com suas famílias, e crianças correndo, puxando a mão dos pais, sempre na expectativa do próximo animal que encontrariam. Vi, que apesar da emoção infantil de estar em um zoo não diferir do ocidente para o oriente, as roupas dos pequenos mostrava o modo particular da infância e dos cuidados pessoais. Culturas..., no mínimo, estranho para mim.
O metrô, com certeza te leva para qualquer lugar. Mas cada estação é enorme e um lugar provável para me perder. Levaria muitos, muitos dias para compreender todo o processo e para entender aonde deveria parar e onde deveria pegar outra linha. Sem minha assessoria nada conseguiria.
As ruas e ruelas com lanternas vermelhas vibravam o ano novo. 

As casas tinham as portas enfeitadas com imagens de ovelhas e cabritos, dando um sentido para o ano vindouro para as pessoas daquele lugar. Também, reparei nos muitos banheiros públicos presentes na parte mais antiga da cidade. Estavam ali para suprir as várias casas que não possuem esses aposentos. 

Assim, percebi várias coisas e, pasma,  muitos trajetos caminhei na neve...nunca imaginaria...senti os flocos caindo no rosto. Fiquei encantada com a leveza, não pensava ser tão delicada. Gostei de sentir! Gostei de ver os lagos congelados e por a ponta do pé na 'poça de gelo' pelas ruas...




Mas não gostei muito da comida que encontrei por lá e, muito, muito menos ainda de usar máscara para me proteger da poluição...

O que há do outro lado do mundo? Coisas boas e ruins, esperança e tristeza, belezas e feiuras...tudo vai depender do olhar...!