quinta-feira, 5 de janeiro de 2012


Uma folha...

Nem sei se ainda é possível dizer: - Fiquei ‘estaqueado’ frente a uma folha de papel em branco. Não consegui escrever!

Talvez melhor trocar o termo folha de papel por página do Word.

Não saber como começar a escrever acontece com muita gente. Parece que o branco assusta. Não, talvez se a folha (a página de Word) fosse vermelha ou azul ou amarela, o entrave seria o mesmo. O que assusta é o vazio. Até porque depois das primeiras palavras, mesmo quem não é fã da escrita, arrisca uns comentários. Com erros de português ou não, qualquer um faz um texto.

O problema é mesmo o vazio. O vazio também na conversa. Numa reunião ou encontro, por exemplo, é preciso que alguém ‘corte’ o vazio com um comentário tipo: - será que vai chover? – para a conversa fluir. Quase sempre ela (a conversa) acaba num assunto bem diferente. Talvez nem seja lembrado mais o tempo, a chuva, o calor. Sumiu o vazio!

Sim, a culpa é do vazio. O vazio também é culpado pela depressão que acomete algumas pessoas nas festas de final de ano. Ele, o vazio, também é culpado pelos problemas familiares: casamentos desfeitos, pois se tornaram vazios (casais tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo); pais e filhos distantes com relacionamentos conflitantes porque o relacionamento é vazio. Será do vazio também a culpa pela dogradização?

Talvez o sucesso da sociedade materialista em crescente ascensão também é culpa do grande vazio da alma da população. As pessoas buscam ‘preencher’ o vazio através do consumo. É, parece que tudo é culpa do vazio.

Bom, se achamos o culpado, então, para ter sucesso na escrita, numa boa conversa, na família, na realização como ser humano etc., é preciso ‘trabalhar’ o vazio. Porque fugir dele não adianta!

Meu desejo? Conselho? Que todos usem, abusem e aprendam a conviver com seus vazios para encontrar a felicidade, pois ela surge na medida em que superamos o vazio!

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