quarta-feira, 6 de julho de 2016

A fotografia..uma pedagogia

Eu adoro fotografia! Confesso que na época da película eu me encantava muito mais pelo processo que demandava, pela expectativa do resultado..! Contudo, a evolução da tecnologia e da Internet permite imagens de qualidade e instantâneas para um universo de pessoas. É fato que a fotografia nos acompanha por todo o lugar, principalmente se falarmos a respeito das redes sociais. Atualmente vemos o mundo que estranhos vivenciam, viajamos com amigos, presenciamos qualquer momento de nossos familiares distantes ou próximos, vemos tragédias e vitórias, vemos o Mundo de perto e de longe...
Nossos jornais e as revistas de todos os tipos (das institucionais às de moda) ressaltam em suas capas e, em todo o interior, as fotografias. Fotografias que, em maior ou menor evidência, nos comunicam, seduzem, chamam a atenção, produzem um apelo ou fazem parte de um complemento informativo, tanto da manchete principal como das secundárias.
Muitos estudiosos falam de imagens. Das imagens relacionadas com revistas e jornais, Marília Scalzo (Jornalismo de Revista, 2003) destaca que as capas de revistas, com suas pictografias, são feitas para vender. O foco é encantar o leitor e proporcionar destaque na competição para a venda nos expositores das bancas. Há, porém, revistas que utilizam fotografias, mas não precisam vender. Em meu trabalho de mestrado, analisei as revistas institucionais. Essas não precisam concorrer pelo gosto do leitor em bancas. De fato, tal utilização de fotos tem muitos propósitos e buscam por agregar um assunto da pauta à atual sociedade que privilegia o sentido da visão. Tipo uma sinergia com ‘o mundo’ exclusivo de que a revista aborda. Revistas industriais, por exemplo, buscam layout com engrenagens, peças, motores, vendas, pessoas na vida laboral, etc., ou seja, agregam textos/imagens às faces dos temas específicos para a divulgação e visibilidade das análises e abordagens enfocadas...e algo mais...
As imagens se tratam de uma ‘linguagem’ atributiva para a compreensão dos sujeitos, das coisas e dos temas relacionados, construindo e disseminando significados a respeito dos mesmos. Stuart Hall (1997) fala da produção de conhecimento através da linguagem e da representação e ao modo como o conhecimento é institucionalizado, modelando as práticas sociais e, dessa maneira, pondo as práticas em funcionamento, produzindo identidades, marcando diferenças, constituindo identidades.
Então, fotografias entendidas como representações (conceito que envolve a utilização da linguagem, dos sinais, dos signos, das imagens que tem um significado ou representam algo para as pessoas), ao produzirem determinados significados, estabelecem identidades sociais, definem quem nós somos, como deveríamos ser e, também, quem são os outros, como devemos nos portar, trabalhar, divertir..Trata-se do elo entre os conceitos e a linguagem utilizada, aqui com referência às imagens, que nos possibilita interpretar e ‘definir’ o mundo de maneira mais ou menos parecida, compartilhada, dando sentido àquilo que somos e para a experiência tanto nossa como a representada.
Ao perceber tais concepções, há a ampliação do conceito de pedagogia, com a inclusão também das imagens. Isso significa dizer que a educação é abrangente. Silvio Gallo (Deleuze & a educação, 2008) ao se referir à educação, expressa que o aprendizado “não pode ser circunscrito nos limites de uma aula, da audição de uma conferência, da leitura de um livro; ele ultrapassa todas essas fronteiras, rasga mapas e pode instaurar múltiplas possibilidades”(p.85).
Assim, podemos perceber a fotografia como uma instância social que dissemina conhecimento, narra práticas e princípios pela criação de contextos e representações que circulam nela. A visualização de imagens permite que pensemos sobre as fotografias para compreender seus alcances, seus ‘apelos’, seus valores, suas compreensões, seus posicionamentos políticos, seus papéis sociais constitutivos, etc.
Para ampliar a importância de pensarmos no poder de representação das fotografias, basta observar sua presença no mundo dos meios de comunicação e social atual, sua presença em diversas culturas, junto aos mais diferentes públicos etários, mostrando, criando, ilustrando, instituindo hábitos, maneiras e costumes.
Ao perceber representações em cada fotografia, as entendo como uma embalagem de ideias que fala, que ensina, que direciona, que interage com as nossas percepções numa visão de mundo da perspectiva, dos signos e, sim, do olhar do fotógrafo. Ou seja, para aquilo que importa à pessoa que fotografou, ou do que quer dizer, mostrar, transmitir, indicar e provocar reflexão, nos inserindo em contexto sugerido, num ponto de interesse específico, de maior ou menor valor, buscando a consciência dos elementos que o cercam, produzindo, construindo nexos, fazendo circular significados.

Assim, da próxima vez que olhar uma fotografia, analise, perceba, entenda o que ela diz, o que ela representa, o que ela ensina?

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