terça-feira, 14 de junho de 2011

Cozinhar é...

DIFÍCIL

Com o final do mestrado(*) tenho me sentido mais leve para escrever e ler sobre os mais variados assuntos. Sim, no mestrado a leitura é mais dirigida, e a escrita é bem diferente, bastante, muito exigente!

Mas, apesar da “liberação” dos temas para a leitura e uma inquietante sensação parecida com “necessidade de ler de tudo”, tem assuntos que mais me interessam: aqueles que envolvem a educação, os filhos (e cães) e a saúde (e tudo o que a envolve). Os temas da saúde me acompanham desde bem jovem (sonhava em fazer medicina - um segundo plano seria a veterinária. Por um motivo ou outro não aconteceu, e até hoje parece que esse “capítulo” da vida me faz falta). Esse foi o motivo para eu fazer nutrição e dietética no EM. O estágio no Hospital de Caridade de Taquara foi uma época de muitas alegrias. Adorava ir lá! Lembro, também, das aulas práticas daquele período; sempre era um prazer, nunca um dever!

A partir dessa etapa - e em meio a ela –, comecei a ler mais atentamente as receitas culinárias. Minha mãe tinha (acho que ainda tem) um livro chamado “Comida gostosa”, não lembro o autor. Ele me foi útil nas pesquisas para os trabalhos de aula daquela época, pois, além do grande número de receitas, também continha dados nutricionais dos alimentos – coisas importantes nas disciplinas estudadas.

Mas, desde aquela época, um item presente em cada receita chamava (e chama) a atenção: a inscrição do “grau de dificuldade” para o preparo das receitas (é comum alguns livros, revistas ou sites apresentam tal consideração junto às receitas). Mesmo com a inscrição de “receita FÁCIL”, eu não as considerava (nem considero) dignas de serem intituladas de receitas fáceis. Isso, pois, para mim, o “fácil” está sempre amparado, em certa medida, na disponibilidade de tempo para fazer a receita, em ter a mão todos os ingredientes (ou dispor de dinheiro e lugar para comprá-los: Não se encontra em qualquer lugar a essência de panetone ou a massa folhada para tortas ou o creme de leite fresco etc.), em dispor dos equipamentos culinários necessários (não estou me referindo a panelas e outras coisas comuns, mas “aquele ralador fino para o alho” ou “aquela faca de descascar batatas” ou aquele multiprocessador que pica de modo Y ou aquelas forminhas de quindim, em ter um forno que assa por igual, enfim...), em não ter outra atividade de mesmo grau de importância para fazer naquele momento, em estar sozinha na cozinha ou, ao menos, somente acompanhada de alguém que esteja envolvido da mesma maneira na confecção da receita...

São vários os itens que podem fazer da receita “fácil” um tormento, um momento estressante, um desestímulo para praticar a arte de cozinhar. Ou seja, nem sempre o que é verdade para quem escreveu a receita, é uma verdade para quem vai fazê-la – nem vou entrar na questão do resultado final: por que a minha elaboração da receita não resultou em igualdade visual da receita da foto?

O mesmo acontece com as ditas receitas “simples” para reaproveitar as “sobras”, criando uma “cara” nova com o alimento de ontem... a história pode não ser nada simples. O fato é que, além de gostar de cozinhar, é preciso um grande conjunto de coisas e envolvimentos para por à mesa uma refeição que seja saborosa para quem come e prazerosa para quem a faz.

Sim, eu gosto de cozinhar! Mesmo quando tinha os filhos pequenos, às vezes dois ao mesmo tempo “grudados” nas pernas e com o relógio insistindo em acelerar o seu tempo para a hora do almoço ou do jantar, eu sempre adorei cozinhar! Claro, nem sempre foi fácil, nem sempre tive à mão os produtos que queria, nem o sossego para “criar” algo especial. Mas, talvez, os fatos e circunstâncias pelas quais passei me serviram de refinamento e entendimento para o que hoje me considero: uma cozinheira prática (utilizar o que tenho em casa, fazendo adaptações) de estilo “natureba”. Ou melhor, produzir refeições ou pratos pouco complicados e ditos saudáveis para os filhos, para a família. A minha verdade é que adoro inventar pratos que envolvam a utilização de produtos naturais, chás e temperos, seja com pratos novos ou aproveitando sobras de alimentos. Isso, sem falar, se tenho a possibilidade de utilizar na preparação de um prato, algo que eu mesma tenha plantado e colhido! O gosto, com certeza, é outro!

E, caso o (a) leitor (a) tenha interesse em aderir às minhas receitas, segue uma com “sobras” de pinhão. Nesta época de inverno, no Rio Grande do Sul, o pinhão (que é a semente da Araucária angustifólia; sua polpa comestível – assada ou cozida - é basicamente formada de amido) é bastante consumido e, como qualquer alimento, muitas vezes sobra pequenas quantidades cozidas. Por ter o gosto alterado um dia após o cozimento, geralmente os pinhões não consumidos são colocados fora. É com eles que preparo um bolo:

Bata no liquidificador:

4 ovos

1 copo de leite

2 colheres de óleo de canola (ou outro; pode ser utilizada a margarina ou a manteiga)

Pinhões “amanhecidos” descascados

½ xícara de açúcar mascavo

½ xícara de açúcar cristal (pode ser o refinado. Caso não tenha em casa o açúcar mascavo, coloque 1 xícara de açúcar cristal ou refinado)

2 colheres de sopa de extrato de soja (opcional. Utilizo esse ingrediente por conter isoflavona)

Depois de liquidificar, coloque o líquido em uma tigela, acrescente farinha e bata vigorosamente até obter uma consistência de creme grosso. Junte, finalmente, 2 colheres de fermento em pó (para bolo). Coloque em uma forma untada e enfarinhada (pode, também, untar e espalhar açúcar levemente. O bolo não gruda e sai caramelado).

Asse em forno médio (dependendo do forno, por 40 minutos) até dourar.

É, cozinhar é difícil, mas pode oferecer satisfação e refeições saudáveis para toda a família.

(*) O meu trabalho de mestrado, resumidamente, refere-se a demonstrar que revistas institucionais (aquelas que são produzidas por instituições ou entidades e distribuídas aos associados ou sócios) têm funções pedagógicas. Nessa concepção, a revista institucional funciona como uma pedagogia cultural, como um mecanismo de representação, ao mesmo tempo em que opera como constituidora de identidades culturais. Caso o leitor deseje mais algum dado, entre em contato.

2 comentários:

  1. Lindo Mamis!!!! Por que não puxei de ti esse dom de escrever claramente e com tanta fluidez? Textos super gostosos de ler!!! Parabéns!
    Ah! Lendo a parte em que falas sobre a necessidade de possuir instrumentos específicos, lembrei da Becky, quando ela resolve cozinhar em casa na tentativa de conter os gastos, e acaba comprando um monte de coisas novas que só usou uma vez (e sem sucesso ainda!)Hehehehe
    Bju, bju! Te amo!

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  2. Doce Paulinha! Sempre muito gentil com tua mãe! Bem que lembrei da Becky quando escrevia. Nos livros, a personagem demonstra que o "fácil" pode ser bem difícil, hehehe. bj, te amo!

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