segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Fotografias ensinam?


Na minha pesquisa de mestrado – que continuo a realizar – desenvolvi a expressão “embalagem pedagógica” para pensar as revistas (em especial as institucionais) como um conjunto de estratégias complexas e abrangentes de controle do consumo (leitura) e de captura sistemática da atenção e das vontades do consumidor (empresário, industriário, do leitor ‘setorial’ enfim), com a designação do produto como uma unidade distinta. Isto é, revistas que reforçam a marca de uma entidade ou organização e demonstra que ela elenca o que interessa para determinado setor, como, por exemplo, a indústria e o comércio, numa espécie de “campanha” institucional, que ensina para os indivíduos a ela vinculados o que é importante e deve ser “acompanhado” nas modificações da atualidade.

Acontece que, ao praticar um hobby particular, as fotografias, passei a entender que elas também são embalagens pedagógicas. Isso, porque, as fotografias buscam uma representação e provocam significados através da visão do (a) fotógrafo (a). Se observarmos com muita atenção uma fotografia, podemos perceber qual o ângulo daquilo que é fotografado, que há algo em primeiro e segundo plano, que a foto é tirada de cima para baixo ou vice-versa, que o segundo plano está desfocado, etc., focos do (a) fotógrafo (a) que buscam e ensejam representações de uma determinada coisa, fato ou situação para algo que é colocado como centro de atenção.

Ao pensar dessa maneira nas fotografias é possível perceber que uma das buscas de quem produz as imagens é colocar todos aqueles que as olham (“leem”) inseridos naquele lugar, naquela situação, a observar uma determinada coisa destacada (pelo fotógrafo (a)), e colocado em jogo como importante. Assim, ao compreender a produção fotográfica com tais perspectivas, é possível vê-las como táticas que pretendem representações e acabam por “ensinar” (através de suas múltiplas estratégias de foco já citadas anteriormente) algo para quem as observa.

Com tais abordagens, ao visualizar uma imagem, o que o ‘impacto visual’ me ensina, o que esta embalagem pedagógica (seja em jornais, revistas, na internet, na produção de moda, na produção profissional ou amadora) pretende me ensinar através do olhar do (a) fotógrafo (a)? O que eu procuro representar e “ensinar” ao compartilhar com os leitores a foto de uma “cimbídio” que acaba de florescer na minha casa? Ou com o pássaro que veio alimentar-se de bananas na cerca da minha casa?



Um comentário:

  1. Que orgulho! Como consegues escrever tão bem? Queria tanto ter puxado isto de ti! Mas fazer o que né? Me contento em só ficar "babando" ao ler. HAHAHAHA
    Bjussssssss te amo!!!
    PS: Juraria que estas fotos são de revista! O pássaro parece de atlas!hshshshs

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